As previsões de primavera da Comissão Europeia - divulgadas esta manhã em Bruxelas - são duas décimas mais baixas que as estimativas do governo, que prevê agora um crescimento de 1,9 por cento este ano.
 
Ainda assim, a economia portuguesa deverá crescer acima da média da zona euro. Bruxelas voltou a rever os números em baixa e prevê agora que a zona euro cresça apenas 1,2 por cento em 2019.
 
A Comissão Europeia estima ainda um défice de 0,4 por cento nas contas públicas portuguesas, um número acima do estimado pelo governo, que calcula um défice de 0,2 por cento, este ano.
 
Bruxelas diz que a economia portuguesa está a ser afectada pela incerteza internacional e pelo abrandamento do crescimento europeu. 

Entre as medidas extraordinárias com impacto no saldo português, Bruxelas aponta a nova injeção de capital no Novo Banco ao abrigo do Mecanismo de Capital Contingente, que terá um impacto de 0,6% do PIB.

Nas previsões de outono, Bruxelas estimava que Portugal registasse défices de 0,6% e 0,2% em 2019 e 2020, respetivamente.

A revisão em baixa agora feita por Bruxelas continua, ainda assim, a apontar para um panorama de contas públicas mais pessimista do que o esperado pelo Governo português.

No Programa de Estabilidade que em abril enviou para Bruxelas, o Governo aponta para um défice de 0,2% em 2019 e para um excedente de 0,3% em 2020.

Crescimento da zona euro revisto em baixa

Já para o conjunto da União Europeia a 27, o executivo comunitário espera que a economia cresça este ano 1,4% - o que também constitui uma revisão em baixa face às previsões de inverno (1,5%) e, sobretudo, às de outono (2,0%) -, esperando que atinja os 1,7% em 2020, ainda assim também abaixo da sua projeção de fevereiro (1,8%).

Segundo Bruxelas, este abrandamento mais vincado do crescimento da economia europeia deve-se ao “recente desaceleramento da economia mundial e das trocas comerciais internacionais, conjugado com as fortes incertezas em torno das políticas comerciais”, a que se junta ainda “uma fraqueza persistente do setor da produção”, em particular “nos países confrontados com problemas específicos na indústria automóvel”.

O executivo comunitário confia, no entanto, que o ritmo de crescimento da economia europeia volte a acelerar em 2020, mas inteiramente à base da atividade interna.

A Comissão observa que, uma vez que as trocas comerciais internacionais e o crescimento mundial devem permanecer fracos este ano e no próximo face ao ritmo observado em 2017, “o crescimento económico da Europa assentará inteiramente na atividade interna”.

Para Bruxelas, estão à partida reunidas as condições para um aumento da procura interna no próximo ano, pois a taxa de emprego continua a subir de forma constante na Europa, há um aumento de salários, uma inflação moderada, condições de financiamento favoráveis e medidas orçamentais de relançamento em diversos Estados-membros.

A análise da primavera à economia europeia aponta que, apesar do desaceleramento do crescimento do PIB em finais de 2018, a situação no mercado de trabalho continua a melhorar, tendo a taxa de desemprego recuado em março passado na UE para os 6,4%, o nível mais baixo desde que começaram a ser publicados dados mensais (em 2000).

Bruxelas espera também que a inflação permaneça moderada ao nível da UE, caindo para os 1,6% este ano antes de progredir para os 1,7% em 2020, enquanto para a zona euro estima que permaneça nos 1,4% este ano e no próximo.

A Comissão Europeia adverte todavia que, uma vez mais, as suas previsões económicas estão sujeitas a riscos de nova revisão em baixa, sobretudo se forem adotadas “medidas protecionistas à escala mundial” e o abrandamento atual do crescimento do PIB e das trocas comerciais se mantiver mais tempo que o previsto, “muito particularmente se o crescimento da China ficar abaixo das expectativas”.

“Para a Europa, os riscos estão sobretudo relacionados com um ‘Brexit’ sem acordo e a possibilidade de as perturbações temporárias que atualmente se verificam no setor da produção persistirem”, alerta Bruxelas.

Apesar destas novas revisões em baixa, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, numa primeira análise às previsões da primavera do executivo comunitário, preferiu sublinhar que, "numa conjuntura mundial menos favorável e incertezas persistentes", a Europa consegue ainda assim resistir e continuar a crescer, com "boas notícias na frente do emprego, nomeadamente um aumento dos salários", admitindo todavia que tenham de vir a ser adotadas medidas de apoio à economia, se tal se revelar necessário.