O ministro da Economia disse hoje que a revisão feita pela Comissão Europeia (CE) do crescimento económico de Portugal é "um reconhecimento de que a economia portuguesa surpreendeu pela positiva" e estabeleceu como meta "nova boa revisão na primavera".

Conseguimos inverter previsões menos positivas e ter um crescimento mais forte do que se estava à espera. A CE reconhece hoje que de facto a economia portuguesa surpreendeu pela positiva. O que queremos é continuar a trabalhar para que esta revisão do crescimento ainda tenha de ser revista outra vez na primavera", referiu Manuel Caldeira Cabral.

O ministro, que falava na sessão de abertura da conferência "Capacitar para Inovar e Internacionalizar" que esta tarde decorre em Santo Tirso, distrito do Porto, considerou "importante" que Bruxelas tenha "revisto não só o crescimento para 2016, mas também para 2017, reconhecimento de que a economia portuguesa apresenta perspetivas mais elevadas".

Nas previsões económicas de inverno divulgadas hoje, a CE estima que o défice orçamental português represente 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) - abaixo da meta de 2,5% definida aquando do encerramento do processo de sanções - e que a economia tenha crescido 1,3% em 2016, ligeiramente acima dos 1,2% antecipados pelo Governo no Orçamento do Estado para 2017 (OE2017).

Para o governante, os empresários deram um "grande contributo" nesta matéria, sendo que, destacou Caldeira Cabral, o Instituto Nacional de Estatística previu no final de 2016 para 2017 o melhor ano em termos do investimento dos últimos nove anos.

[Isto] tem a ver com a ótima performance nas exportações, em particular os últimos dados de dezembro, com um crescimento de 12% das exportações em termos homólogos. São dados muito positivos", descreveu.

Caldeira Cabral frisou que "este é um bom momento para a economia portuguesa", apontando a necessidade de "continuar a trabalhar", e falou na criação em 2016 de 100 mil postos de trabalho.

À margem da sessão, questionado sobre se teme novos alertas por parte da CE ou necessidade de adotar medidas extraordinárias, o ministro da Economia referiu que "durante todo o ano existiram alertas", mas as "medidas extraordinárias não foram necessárias".

E cumprimos o défice e as contas públicas. Portugal cumpriu os objetivos a que se propôs no início do ano que eram objetivos que iam além das exigências comunitárias", vincou.

Já perante uma plateia de empresários, na conferência promovida pelo Innest Santo Tirso, gabinete da câmara local que tem como missão captar investimentos através de benefícios ficais, entre outras medidas, o ministro descreveu as medidas que o Governo está a levar a cabo em matéria e captação de investimento, nomeadamente no apoio à inovação e na mobilização de fundos comunitários.