Não foram projeções otimistas as reveladas hoje pelo Banco de Portugal (BdP). A economia portuguesa vai crescer menos em 2020 e a taxa de desemprego sobe ligeiramente face ao que tinha sido projetado anteriormente até 2021, disse hoje a instituição no Boletim de junho. Se em 2019, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), agora apresentada, fica nos 1,7%, igual à revelada em março, o cenário muda em 2020. O BdP admite agora que a economia cresça menos de 1,7 para 1,6%. Para voltar aos já previstos 1,6% em 2021.  Ou seja, Portugal deixa para trás os crescimentos de 2%.

Um crescimento pouco acima da linha de água e que facilmente poderá ir ao fundo já que se suporta, sobretudo, no crescimento interno com a balança de bens e serviços a pesar menos em percentagem do PIB. 

Olhando para os dados, verificamos que a empurrar para baixo o crescimento económico em 2020 estarão sobretudo as exportações que retraem crescimento, em relação à projeção de março, para 3,1%, e continuam a aumentar menos que as importações, que também desaceleram no ano que vem. Ou seja, se a previsão, para este ano, da procura interna e exportações, no que toca ao contributo líquido de importações para o PIB, se mantém, já no que toca às exportações cai tanto em 2020 como em 2021 (0,5% nos dois anos).

O argumento a nível externo? O arrefecimento da economia mundial, os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, mas também os efeitos do Brexit. O BdP fez as contas a uma saída do Reino Unido sem acordo e chegou à conclusão de que esse cenário pode subtrair entre 3 e 6 décimas do PIB nos próximos dois anos.

Se assim for, e com as importações a crescerem mais que as exportações o desequilíbrio das trocas comerciais com o estrangeiro tende a aumentar, depois de sete anos consecutivos com excedentes. 

Já do lado da procura interna, o contributo projetado mantém-se inalterado. Boas notícia também do lado do investimento [Formação Bruta de Capital Fixo] este ano (8,7%) que deverá abrandar nos próximos dois anos, mas melhorar em 2021 nesta previsão face à anterior. O consumo privado também deverá acelerar mais este ano.

Notícias menos boas também do lado do desemprego, com a taxa a subir ligeiramente para os três anos face à projeção anterior e a colocar-se, segundo o banco central, nos 6,3% este ano, para depois passar para os 5,7% em 2020 e 5,3% em 2021.

Esta não é primeira revisão em baixa de previsões do Banco este ano, já o tinha feito em março no anterior boletim.