A OCDE considera que a pandemia de Covid-19 deixou um rasto de consequências económicas “desastrosas” das quais vai ser difícil recuperar e estima que a economia mundial registe uma recessão entre 6,0% e 7,6% em 2020.

No relatório com as previsões económicas mundiais divulgado hoje (“Economic Outlook”), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), refere que a Covid-19 colocou o mundo perante a maior crise sanitária e económica desde a segunda guerra mundial, criando disrupções nos sistemas de saúde e no mercado de trabalho, e “uma extraordinária incerteza”.

Por todo o lado, os impactos económicos são desastrosos”, assinala a organização no documento, alertando que a “recuperação vai ser lenta e a crise terá efeitos de longo prazo, afetando de forma desproporcionada as pessoas mais vulneráveis”.

A situação levou a OCDE a incluir dois cenários “igualmente prováveis” nas suas projeções, um que considera que não haverá nova vaga de contágios da doença e outro, mais negativo, que assume uma segunda vaga até ao final deste ano.

No cenário mais adverso, a previsão da OCDE é a de que o PIB mundial registe um tombo de 7,6% arrastado pela recessão prevista para a generalidade dos países, alguns dos quais com previsões de quebras a dois dígitos.

Estão neste caso os países europeus mais afetados pela pandemia, nomeadamente França e Itália, países para os quais a OCDE antecipa uma recessão de 14,1% e 14,0%, respetivamente, em 2020, o Reino Unido (-14,0%) e a Espanha (-14,4%).

Com quedas homólogas do PIB nos dois dígitos surgem ainda Portugal (-11,3%), Bélgica (-11,2%), República Checa (-13,2%), Estónia e Hungria (ambos com -10,0%), Islândia (-11,2%), Letónia (-10,2%), Lituânia (-10,4%), Argentina (-10,1%) e Rússia, Holanda, Nova Zelândia e Suíça (todos com -10,0%).

A pandemia causará uma recessão de 8,5% na economia dos Estados Unidos, enquanto para a Alemanha a OCDE projeta uma queda de 8,8%.

Depois de um crescimento de 6,1% em 2019, a economia chinesa deverá recuar 3,7% este ano.

A esta recessão sem precedentes desde a década de 1930, deverá seguir-se uma tímida recuperação de 2,8% em 2021.

No cenário menos adverso em termos de evolução da covid-19, o impacto na economia será igualmente substancial, estimando-se que a economia mundial tombe 6,0% este ano, a que se seguirá um crescimento de 5,2% no ano seguinte.

Este contexto leva o economista chefe da OCDE, Laurence Boone, a referir que vão ser necessárias políticas extraordinárias para encontrar um equilíbrio rumo à recuperação da economia.

Porém, refere, “mesmo que se registe crescimento em alguns setores, a generalidade das atividades vai continuar limitada por algum tempo”.

/ BC