A actual crise mundial não traduz o falhanço da economia de mercado, mas sim o fracasso da ideologia neoliberal, que não foi capaz de controlar as forças de mercado, defendeu esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado.

«Esta crise mostra não o fracasso, mas o sucesso das forças do mercado, da sua capacidade para se expandirem pelo globo e de penetrarem em sistemas ideologicamente fechados», disse Luís Amado na abertura de um seminário sobre o impacto da crise na governação democrática, escreve a Lusa.

«O que está em causa é o falhanço político em liderar essas forças. Em acompanhar, com instrumentos políticos adequados, esta expansão das forças de mercado. Não são os princípios da economia de mercado, mas a ideologia que reduziu o papel do Estado ao mínimo», acrescentou.

O ministro considerou, por isso, tratar-se de «um grande problema político» que se coloca aos governos neste momento: encontrar a fórmula adequada para «controlar a dinâmica das forças de mercado».

A actual crise financeira e económica vai obrigar também, na opinião de Luís Amado, a «uma redefinição do papel do Estado», que perante o «enorme impacto social» que a crise vai ter, não tem capacidade para dar resposta às necessidades dos cidadãos.

«Esta é uma nova realidade mundial que não previmos. Os Estados já não têm os instrumentos para responder à crise e, quando todos olham para os Estados à procura de respostas, os Estados não têm capacidade para influenciar a economia que antes tinham».

Em terceiro lugar, o ministro apontou a crise como «o início de um longo, complexo e perigoso processo de reconfiguração do mundo», que terá de passar forçosamente pelo «diálogo, negociação e multilateralismo».

As prioridades desse diálogo, considerou, são «a estabilização do sistema financeiro para criar confiança nos consumidores e nos empresários» e a criação de «condições para relançar a economia global, evitando proteccionismos».

Um tal processo permitirá «encontrar um novo equilíbrio macroeconómico e geopolítico» e, dessa forma, contribuir para a resolução de conflitos no mundo.
Redação / CPS