(artigo originalmente criado às 23h52 de 13/01/2020)

Imagine uma equipa ir a caminho de um estádio e o autocarro avariar. Perante um cenário de falta de comparência, uma multa e um domingo estragado, a única ajuda veio… da equipa adversária.

Num gesto de enorme desportivismo, o União Sport Clube Baltar soube da situação e prontamente tratou de transportar a Associação Desportiva e Recreativa de São Pedro Fins até ao seu próprio campo a tempo do jogo da segunda divisão dos distritais do Porto.

«O autocarro avariou a treze quilómetros do Complexo Municipal de Paredes, na autoestrada. O motor avariou, começou a deitar fumo por todo o lado. Pensámos que ia arder. Faltava cerca de uma hora para o jogo e não iríamos conseguir chegar a tempo», contou o presidente do S. Pedro Fins, Nuno Silva, ao Maisfutebol.

O pensamento imediato dos dirigentes do clube maiato foi informar quer os árbitros, quer os responsáveis do Baltar. Longe estavam de imaginar que o conjunto de Paredes iria solucionar o contratempo.

«Ligámos para a seguradora para encontrar uma solução. Entretanto uma mãe que levava um atleta seguiu para o estádio com um diretor para avisar. Assim que chegaram, os dirigentes do Baltar pediram para aguardarmos. Ligaram ao motorista, ao senhor Teixeira, a perguntar se ele nos podia vir buscar ao quilómetro x da A41. O senhor veio logo e levou-nos a tempo do jogo», acrescentou.
 

O percurso de São Pedro Fins, na Maia, a Paredes: cerca de 27 quilómetros


O homólogo do Baltar, Isidro Almeida, desvaloriza o gesto de solidariedade e fair-play. «O que mais podíamos fazer? Se fosse ao contrário gostaríamos que fizessem o mesmo. O motorista e presidente da Assembleia Geral do nosso clube ainda estava em Baltar e foi lá. Sim, nós não temos campo e jogamos em Paredes com ajuda da Câmara Municipal», relatou ao nosso jornal.

Depois da ajuda recebida, o São Pedro Fins acabou bater Baltar por 3-1. Porém, o mais importante já estava garantido antes do apito do árbitro: a realização do jogo de futebol.

«Mandámos lá o nosso autocarro e resolvemos o problema aos homens. Iam perder o jogo… quer dizer, infelizmente perdemos nós, mas foi em campo. Além de perderem, iriam pagar uma multa por falta de comparência. Desde treinadores e jogadores a diretores, todos concordámos que a ganhar teria de ser em campo», disse o presidente do conjunto de Paredes.


 

Equipa da Associação Desportiva e Recreativa de São Pedro Fins ficou retida na A41.


O problema com o autocarro persistiu após o jogo. Embora o São Pedro Fins tenha solucionado parte do contratempo, alguns atletas não tinham transporte para voltar para a Maia.

«Arranjámos boleia para quase toda a gente. Fizemos a contagem e percebemos que não havia transporte para três atletas. O presidente do Baltar trouxe-os a São Pedro Fins no próprio carro e os árbitros deram boleia aos nossos dois diretores. As pessoas do Baltar sabem estar e têm uma educação que não se vê todos os dias», elogiou o Nuno Silva.

Caro leitor, se teve paciência para ler até ao fim, permita-me imaginá-lo a aplaudir este gesto invulgar de olhos postos no computador ou no telemóvel. Sem dúvida que esta história faz encher o peito de orgulho a quem gosta de futebol.

Ainda há esperança, bem lá no fundo.

 

Vítor Maia