O alerta vermelho mantém-se. Desta vez o Benfica não perdeu – o que ditaria a eliminação da Liga dos Campeões -, mas pouco mudou. A equipa de Rui Vitória voltou a não conseguir triunfar e as contas europeias estão muito complicadas.

A exibição também esteve longe dar sinais de confiança aos adeptos, e o apito final voltou a ser acompanhado por assobios e lenços brancos, em alguns casos improvisados com os plásticos que tapam os patrocinadores das bancadas da Luz (que em jogos europeus têm de ser tapados).

A tempestade continua.

O empenho ajuda...

Com três alterações no onze relativamente ao desaire caseiro com o Moreirense, o Benfica entrou em campo empenhado em inverter o ciclo negativo, com a entrada de Cervi a recuperar (parcialmente) a dinâmica com Grimaldo na ala esquerda. O espanhol e o argentino protagonizaram os primeiros remates do encontro, ambos defendidos por Onana (2 e 6m), mas o farol do Benfica foi Jonas.

Pouco esclarecida, apesar das boas intenções, a equipa de Rui Vitória contou com um momento de clarividência do brasileiro para chegar à vantagem, através de um lance de bola parada. E Jonas até tinha ficado desorientado numa disputa aérea com Matthijs de Ligt, que o atingiu com o braço na cabeça (14m), mas ainda assim mostrou a clarividência habitual no lance do golo, a aproveitar a saída extemporânea (e falhada) de Onana, na sequência de um lançamento (29m).

Com o jogo muito confuso, a cair excessivamente na luta física a meio-campo, foi novamente através de um lance de bola parada que o Benfica espreitou o segundo golo, mas Jonas não conseguiu desviar a propósito o livre da direita.

O Ajax só respondeu depois, e também de bola parada, com dois livres diretos que causaram problemas a Vlachodimos. O guarda-redes do Benfica defendeu os remates de Ziyech e Schöne (39 e 45), mas neste último caso contou depois com um milagre, já que a recarga de Tadic encontrou as costas de Rúben Dias e depois Van de Beek atirou ao lado, com De Jong a ficar a centímetros do desvio em cima da linha de baliza.

...mas não basta

Na segunda parte, à semelhança do que tinha sucedido em Amesterdão, o Ajax acelerou. Foi mais intenso na pressão em zonas adiantadas e mais sagaz a aproveitar os erros do Benfica. Já depois de terem deixado dois avisos, logo nos primeiros minutos, Ziyech e Tadic fabricaram o golo do empate. Dos pés do internacional marroquino saiu um passe exímio a descobrir o sérvio na área, entre Rúben Dias e André Almeida (62m).

O Benfica viu-se obrigado a reagir com ataque renovado (Rafa e Seferovic renderam os lesionados Salvio e Jonas), mas só nos instantes finais conseguiu estar verdadeiramente perto do golo. Onana redimiu-se do erro da primeira parte e fez uma exibição em crescendo, a atingir o ponto alto mesmo no último lance do golo, ao desviar com o pé direito um remate de Gabriel já no interior da área.

O público da Luz já estava de pé para comemorar a «vingança» da derrota em Amesterdão, sofrida precisamente nos descontos, mas terá de lidar com nova desilusão.

O Benfica chegou a um ponto em que tem de vencer os dois jogos que faltam, incluindo a visita a Munique, e mesmo assim pode ser insuficiente.

Nuno Travassos / Estádio da Luz, Lisboa