O secretário-geral da NATO afirmou esta quinta-feira estar «confuso» sobre as palavras do presidente russo, Dimitri Medveded, que na terça-feira apontou o alargamento da Aliança Atlântica a leste como uma das razões para o rearmamento das Forças Armadas russas.

Questionado pelos jornalistas num encontro no quartel-general da organização sobre se considerou o anúncio do presidente Medvedev como uma ameaça para o futuro, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, respondeu negativamente mas disse estar «um pouco confuso» com os argumentos de Moscovo e defendeu que a Aliança «terá sempre» um papel defensivo.

«Não, não considero [uma ameaça], estou um pouco confuso com o argumento do alargamento da NATO, porque a NATO foi sempre e será sempre uma aliança defensiva e acho que Medveded percebe muito bem que a NATO não tem nem terá nenhum objectivo ofensivo», declarou o responsável máximo da Aliança Atlântica.

«Deste ponto de vista estou um pouco confuso com a argumentação usada pelo presidente Medveded, mas é só o que tenho a dizer sobre este assunto», acrescentou Scheffer.

Na terça-feira, Moscovo anunciou um novo processo de «modernização» do Exército e da Marinha russas, a começar em 2011.

Na sua intervenção, Medvedev justificou a decisão com os conflitos que estão a acontecer em algumas regiões do mundo e referiu a expansão da Aliança Atlântica a países do antigo Pacto de Varsóvia.

«Uma análise da situação político-militar do mundo mostra que há potenciais conflitos que são significativos em várias regiões», disse o chefe de Estado russo, acrescentando que «as tentativas da NATO de alargar a sua infra-estrutura não têm diminuído».

Retomar relações

O secretário-geral da NATO falou ainda da decisão de retomar as relações diplomáticas com a Rússia, tomada na reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros há duas semanas, e frisou que tal não significa que a Aliança «tenha passado a concordar» com Moscovo.

As relações entre a NATO e a Rússia estavam «congeladas» desde o final do Verão passado, aquando da invasão da Geórgia pelas Forças Armadas russas.

«Temos uma discordância fundamental com a Rússia em relação à invasão da Geórgia e ao que se passou a seguir, o reconhecimento da Rússia da Abecázia e da Ossétia do Sul e a intenção de Moscovo de possuir bases militares naqueles territórios é algo que a Aliança não pode aceitar», advogou.

Jaap de Hoop Scheffer lembrou, contudo, que há aspectos onde NATO e Rússia devem «concertar posições» como no «Afeganistão, na luta contra o terrorismo ou na luta contra o narcotráfico».

Na conversa com os jornalistas, o holandês enumerou alguns dos principais temas que vão ser abordados próxima cimeira da NATO, em Estrasburgo/Kehl, que comemora os 60 anos da organização, como o regresso da França à estrutura militar da NATO, a apresentação da Declaração de Segurança da Aliança e o alargamento a novos membros - na cimeira franco-alemã a adesão da Croácia e Albânia deverá ser formalmente anunciada.

Sobre o Afeganistão, o secretário-geral reiterou o que tem dito por diversas vezes, que há uma necessidade de reforçar os contingentes presentes naquele território e que a missão da ISAF é a «prioridade operacional da NATO neste momento».
Redação / André Ferreira, Agência Lusa