O treinador do Santa Clara, Nuno Campos, na conferência de imprensa após o empate frente ao Estoril (2-2), em jogo da 12.ª jornada da Liga:

«Saímos daqui com um resultado que não queríamos, mas fizemos um jogo muito bom coletivamente, os jogadores estão de parabéns. O resultado é injusto, tivemos mais oportunidades para marcar. Tenho de dar os parabéns à equipa. Não me preocupo com a classificação porque sempre senti que os jogadores queriam aprender. A equipa está unida, sabemos que é uma questão de tempo para saírmos desta situação [último lugar]. Estamos num bom caminho.

[Problemas defensivos] Não sou treinador de desculpas. Há aqui coisas que não naturais. Os dois centrais que jogaram comigo têm poucos treinos comigo. Se me dizem que a equipa sofre muitos golos? É factual. Também é factual que marca poucos. Mas vamos marcar mais e sofrer menos, estamos a crescer para isso. Quando puxamos a cassete atrás no campeonato, o jogo do Belenenses foi injusto, no Famalicão tivemos dois jogadores expulsos. Depois houve o jogo com o FC Porto. Esta equipa tem um carácter enorme. É este o espírito que nos vai tirar desta situação. Não esquecer que viemos à casa do quarto classificado. Isto parece tudo muito fácil, mas temos de comparar com alguma coisa. Não éramos os melhores quando ganhámos ao FC Porto, também não éramos os piores quando perdemos com o Sp. Braga. Este jogo mostrou que agora estamos nesse meio-termo. O resultado é injusto, mas a exibição foi bastante positiva. Todos queremos melhorar. Mas vir aqui, com a personalidade que tivemos depois de um jogo difícil, tenho de dar os parabéns aos jogadores.

O facto de termos vindo aqui e termos conseguido que o Estoril não criasse praticamente ocasiões, demonstra que já temos alguns detalhes bem trabalhados. Para mim, o jogo menos conseguido foi frente ao União de Leiria, e ganhámos. Trabalho é ver esta equipa a mandar nos jogos daqui a algum tempo, e acredito que vamos conseguir criar esse coletivo. Mas há muito por melhorar.

[Antes do jogo teria assinado este empate?] Não, nunca aceito que não seja a vitória. Todos os jogos digo aos meus jogadores: hoje não é dia de jogo, hoje é dia de ganhar. Já era ambicioso como jogador, como treinador ainda mais. Os nossos jogadores sabem que mesmo ganhando, há sempre coisas por melhorar. O espírito antes dos jogos é sempre ‘ganhar, ganhar, ganhar’. Jogar para o ponto não sei. Posso ser obrigado a fazê-lo, mas não sei jogar para o ponto. Os jogadores valorizam-se com vitórias e com bola.»

Rafael Vaz / Estádio António Coimbra da Mota, Estoril