O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, apelou esta segunda-feira à Grécia, para que se analisem com calma os resultados das eleições e se forme um Governo que respeite o acordo com a União Europeia.

«O resultado das eleições gerais na Grécia deve ser analisado calmamente», afirmou, acrescentando que as negociações devem agora ter como objetivo a «formação de uma coligação que não ponha em causa o compromisso da Grécia com a União Europeia».

O resultado das eleições gregas deixou em aberto o futuro do país, já que nenhum partido se aproximou sequer de uma maioria absoluta. Mais: os dois partidos que formavam a coligação que estava no Governo (o PASOK, de esquerda, e o Nova Democracia, de direita) não foram além dos 18,8 e dos 13,2%, respetivamente. Isto significa que, mesmo juntos, se ficam pelos 32%, insuficiente para formar Governo, sem o apoio de um terceiro partido.

Um acordo com outro dos principais partidos (Syriza, a esquerda radical, com 16,76% dos votos, Gregos Independentes, com 10,6%, ou Partido Comunista com 8,47%) parece improvável. Isto pode deixar a Grécia sem Governo, podendo levar à marcação de novas eleições daqui a algum tempo. Além destes partidos, o Aurora Dourada angariou 6,97% dos votos e a Esquerda Democrática 6,1%.

Às 12 horas (hora de Lisboa), o líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, vai ser recebido pelo Presidente da República, Karolos Papoulias, que deverá pedir-lhe que forme Governo, num prazo de três dias. Caso o partido mais votado não consiga formar Governo neste prazo, o sistema grego estipula que o segundo partido com mais votos seja convidado a formar Governo e, se este também não o conseguir, o pedido será feito ao terceiro partido mais votado. Caso nenhum dos três o consiga (as coligações parecem improváveis para qualquer um dos três), serão convocadas novas eleições.

Uma hora antes de receber Samaras, Papoulias rece o atual primeiro-ministro grego, Lucas Papademos. A imprensa grega avança que o Presidente deverá aproveitar a reunião para pedir ao atual chefe do Governo para se manter no cargo até que o novo Governo seja formado.