Dez minutos à campeão da Europa valeram a Portugal uma estreia a vencer no Euro 2020 numa colossal e vibrante Aréna Puskás a abarrotar com mais de 60 mil adeptos.

Guerreiro mostrou o caminho, ao abrir o marcador aos 84m, e haveria de ser Ronaldo, «O Comandante», a sentenciar com um bis a estreia a vencer por 3-0.

Desengane-se quem pensa que o triunfo de Portugal foi como um passeio no parque Városliget.

A Seleção tomou a iniciativa de jogo, porém encontrou pela frente uma Hungria sempre na expectativa, baseada no coletivo, com muito espírito de sacrifício e um púbico absolutamente entusiasta, que celebrava cada corte a Cristiano Ronaldo como se um golo se tratasse.

Mal entrou em campo, CR7 começou logo a bater recordes: tornou-se no jogador com mais Campeonatos da Europa disputados (cinco). Poderia ter ampliado a sua notável folha de serviço, como jogador com mais golos na competição, logo aos 43m, caso não atirasse por cima na cara de Gulacsi, falhando a melhor oportunidade da primeira parte.

Essa marca haveria de ser batida com o bis no final.

O que se passou até lá foi, ainda assim, alguma exasperação pela falta de espaço para jogar no meio-campo defensivo húngaro. A ponto de parecer desnecessária a presença de William e Danilo em simultâneo. Faltaria presença na área, para dar seguimento às nesgas que Bernardo e Bruno Fernandes descobriam, ou então para colmatar o desacerto de Jota e Ronaldo na primeira parte.

Não havia um palmo. O setor defensivo magiar era mais povoado do que a Avenida Andrássy em hora de ponta. O 5-3-2 montado por Marco Rossi fez com que a Hungria jogasse em 30 metros, tentando esticar o jogo sem sucesso na dupla Szallai-Sallai. A imagem de Rúben Dias e Pepe, muitas vezes para lá da linha da meia lua defensiva do meio-campo anfitrião, comprova como a iniciativa de jogo cabia toda a Portugal.

No regresso para a segunda parte, a Hungria arriscou um pouco mais e Fernando Santos tardava a mexer na equipa.

O primeiro a ser lançado foi Rafa... E Jackpot do engenheiro!

O extremo do Benfica assistiu Guerreiro para inaugurar o marcador e sofreu o penálti com que Ronaldo haveria de encaminhar o triunfo e voltou a assistir CR7 para o bis numa impressionante jogada coletiva com 33 toques seguidos de Portugal.

Tudo isto aconteceu logo após o golo (bem) anulado à Hungria, aos 80m. Schön bateu Patrício num lance precedido de fora de jogo.

A festa durou pouco, mas houve tochas e até um adepto a invadir o relvado. O ambiente era crescentemente hostil. Se no início um corte a CR7 era celebrado como um golo, na hora de celebrar a Aréna Puskás quase levantava voo.

Os sinais de alarme tocaram aí e a resposta dos campeões da Europa haveria de ser demolidora. Guerreiro e «O Comandante» levaram a nau portuguesa a bom porto. A batalha de Budapeste começou a ser ganha só aí.

Um jogo morno como a água das famosas termas Schezeny, destino turístico bem próximo do estádio, haveria de tornar-se efervescente, até terminar com três baldes de água fria para os combativos magiares.

Para os húngaros foi tão gelado como um mergulho no Danúbio. Para Portugal, missão cumprida. Venha agora a Alemanha, outra anfitriã, em Munique.

Sérgio Pires / Aréna Puskás, em Budapeste