Rui Costa afirmou, esta quarta-feira, que a memória de maior «alegria na carreira» de futebolista foi a conquista do Mundial sub-20 em Portugal, em 1991, destacando-a pelo facto de alguns dos jogadores orientados por Carlos Queiroz não terem sentido total preparação para um jogo daquela dimensão.

«Mundial de sub-20, por uma razão simples. Eu fui campeão europeu com 30, 31 anos [Liga dos Campeões pelo Milan], numa equipa que a obrigação que tinha era ganhar a Liga dos Campeões. Quando chego a essa final, apesar de ser o troféu mais importante, eu já estava pronto para o ganhar e no Mundial sub-20 não estava», começou por dizer o dirigente do Benfica.

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«Se ainda falo no Mundial sub-20, é o lembrar de quando era miúdo e jogava nos campos da Damaia. Naquele ano estava emprestado pelo Benfica ao Fafe a jogar para 100 pessoas e, naquele dia, tinha 130 mil pessoas no estádio. Um país inteiro a puxar para nós. Nenhum de nós sabia o que era aquilo, nenhum de nós estava pronto. Hoje é com grande à vontade que se entra para um estádio assim, naquela altura acreditem que não era. Posso confessar que antes de subirmos, tínhamos meia equipa a chorar, mas compulsivamente. Não conseguiam entrar para dentro de campo: eu era um deles. Eu não estava pronto para esse dia e acabar por ser campeão do mundo assim é o momento que guardo com mais alegria na carreira», completou, na última sessão do painel World Scouting Congress, que terminou esta quarta-feira, no Porto.

Nessa final, perante 127 mil pessoas no antigo Estádio da Luz, Portugal venceu o Brasil no desempate por grandes penalidades, por 4-2, após o 0-0 no tempo regulamentar e prolongamento.

Ricardo Jorge Castro / Porto