A derrota de Portugal no jogo particular frente à Suécia, disputado esta terça-feira, estragou um «bocadinho» a grande festa que os madeirenses viveram no Estádio do Marítimo. A equipa das «quinas» foi para o intervalo a vencer por 2-0, mas os suecos fizeram questão de mostrar que vinham em trabalho e que não estavam para servir de «bombos». Três golos sem resposta operaram a reviravolta nórdica no segundo tempo.

Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo do jogo, para gáudio dos seus conterrâneos que lotaram o «Caldeirão», e ainda teve direito a ser substituído a tempo de uma grande ovação. Fernando Santos aproveitou para ver em campo jogadores que ainda estão a dar os primeiros passos na seleção principal. O seu homólogo, Jan Andersson, deverá ter ficado mais satisfeito com a rotatividade potencial que tem ao seu dispor.

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Em relação ao onze titular contra a Hungria, Fernando Santos operou uma autêntica revolução. Cristiano Ronaldo foi único sobrevivente, mas o destaque na equipa inicial foi para a primeira internacionalização de Marafona.   

À frente do guarda-redes do Sp. Braga, entrou um quarteto defensivo formado por João Cancelo e Eliseu, nas laterais direita e esquerda, respetivamente, e por Bruno Alves e Luís Neto no eixo.

Danilo ficou com a posição mais recuada do meio campo, logo atrás de João Moutinho e Renato Sanches. Na frente, Gelson Martins e Bernardo Silva ladearam Cristiano Ronaldo.

A Suécia entrou a controlar o jogo, fruto de um bloco compacto empenhado em pressionar o meio campo luso logo na sua primeira fase de construção. A equipa das «quinas» demorou algum tempo a libertar-se do colete de forças montado pelo selecionador Jan Andersson, que não pôde contar com o central Victor Lindelof, por lesão, e que também apresentou um onze quase novo em relação à sua última partida, 4-0 frente à Bielorrússia.

No período em que a pressão sueca resultou com maior notoriedade, o perigo rondou a baliza de Marafona em pelo menos duas ocasiões, mas Sam Larsson, primeiro, e Claesson, depois, não conseguiram esticar as redes lusas. Antes, Renato Sanches, com um remate ainda fora da área, descaído para o lado esquerdo, levou o esférico a passar não muito longe do poste de Karl-Johan Jonhsson.

Os suecos estavam em cima do jogo, mas foi Portugal a marcar. Num lance simples desenhado quase ao primeiro toque, Moutinho serviu Gelson Martins na direita, e o extremo do Sporting tirou uma «trivela»  que foi encontrar Ronaldo para fazer o primeiro. O golo do capitão, anotado após um movimento de antecipação, levantou o «Caldeirão», quanto mais não fosse porque o sonho de ver um golo ao vivo do madeirense em casa havia sido cumprido.

A equipa sueca não acusou o golo, mas o jogo ficou mais aberto. O empate esteve à vista, aos 21 e aos 23 minutos, com Nyman a atirar por cima quando só tinha de encostar, e depois Claesson, que apesar de aparecer solto fez o mesmo.

Aos 34’, na resposta ao atrevimento dos visitantes, Gelson encontrou espaço na direita e ao tentar servir Bernardo Silva na grande área, vê Andreas Granqvist, a meias com o seu guarda-redes, fazer auto-golo.

Dois golos sofridos algo contra-corrente mexeram um pouco com a seleção nórdica, e, naturalmente, injectaram tranquilidade entre as fileiras lusas. Quando o intervalo chegou, ambas as equipas pareciam resignadas com o resultado.   

No reatamento esperava-se o início da rotatividade. Mexeu mais Fernando Santos, fazendo entrar William Carvalho, Pizzi, Éder e Nélson Semedo por troca com Danilo, João Moutinho, Bernardo Silva e Eliseu (este último aparentemente tocado)

Ronaldo ainda disparou um míssil que passou por cima baliza contrária, aos 51', na marcação de um livre algo distante da baliza sueca, mas coube aos suecos festejar o golo sete minutos depois, por intermédio de Claesson, a passe de Nyman.

A seleção nórdica aproveitava da melhor maneira as alterações tácticas que demoravam a assentar segundo os planos de Fernando Santos. Aos 59', Ricardo Quaresma entrou para o lugar de Cristiano Ronaldo, oportunidade para o capitão ser homenageado pelos seus conterrâneos. 

Com o jogo ainda mais partido, mas com a Suécia muito mais acertada em termos tácticos, os nórdicos chegaram ao empate com alguma felicidade. Aos 76', na sequencia de um canto rasteiro batido do lado direito, Claesson antecipou-se a Nélson Semedo ao primeiro poste e desviou para o fundo das redes. Marafona ainda se esticou, mas não evitou o golo do empate.

Seguiu-se um período em que Portugal empurrou a Suécia para o seu último reduto. O público pedia «só mais um», mas os intentos lusos iam esbarrando numa formação sueca que ainda não havia esgotado todas as suas substituições.

Aos 90', uma arrancada impressionante do lateral Hult pela esquerda culminou com um cruzamento rasteiro que veio a revelar-se infeliz para Cancelo, que acabou por introduzir a bola na própria baliza.

O jogo na Madeira assinalou o 18.º embate entre Portugal e a Suécia e, no nono duelo em casa, os lusos perderam pela primeira vez com os nórdicos. A festa não correu como era esperado. Faltou a vitória no regresso da Seleção à Madeira, 16 anos depois. Mas os adeptos fizeram questão de despedir-se dos seus jogadores aplaudindo-os de pé.

Raul Caires