Não é que andemos distraídos, mas Rui Jorge fez questão de lembrar na conferência de imprensa de antevisão do particular entre Portugal-Dinamarca que tem ao seu dispor um leque extraordinário de jogadores.

Não é presunção do líder dos sub-21. É mesmo verdade. O técnico, de 41 anos, não só poderá ter à sua disposição uma das melhores castas da história do futebol português, como tem pela frente uma das mais saborosas e, ao mesmo tempo, responsáveis missões: lapidar estes diamantes que bem podem vir a ser o futuro Seleção numa perspetiva a longo prazo.

Num dos últimos testes antes do Europeu de 2015 na República Checa, Portugal apresentou-se na Marinha Grande com um futebol perfumado. Pudera (!), de quem tem uma linha da frente com jogadores como Bernardo Silva, Rony Lopes ou Gonçalo Paciência não se espera outra coisa.

E como eles se divertem a jogar…. Muita nota artística, calcanhares, jogadas ao primeiro toque, «bruás» na bancada. E golos, esse trauma tão português?

Não é que tenha havido falta de oportunidades. Só no primeiro tempo, Rafa Soares, Cavaleiro e Gonçalo Paciência ameaçaram várias vezes o último reduto da seleção nórdica, mas a melhor ocasião de todas pertenceu a Sérgio Oliveira aos 39 minutos. O médio pacense encaminhou-se para a marca da grande penalidade, mas permitiu a defesa do guarda-redes dinamarquês.

Rui Jorge, ainda em fase de experiências, mexeu ao intervalo. Refrescou o ataque, lançando Bruma e Ricardo Horta para os lugares de Cavaleiro e Rony Lopes e a equipa perdeu fulgor ofensivo. Seguiram-se mais trocas. A consequência? O perfume desvaneceu-se e a equipa de Rui Jorge teve por vezes de trocar o elegante blazer pelo fato-macaco, num jogo que foi perdendo qualidade muito por alterações implementadas que obrigaram a várias interrupções da partida, que acabaria como começou: sem golos para alegrar os muitos espetadores que quase encheram por completo o Municipal da Marinha Grande.

A três meses meses da fase final do Europeu da categoria na República Checa, Rui Jorge ainda tem trabalho pela frente. Mas fica a certeza. Esta casta tem tudo para dar uma boa colheita!
David Marques