O último número do semanário O Independente, esta sexta-feira nas bancas, é uma edição que relembra momentos e capas marcantes da vida do jornal e com uma primeira página toda a preto com a manchete «Ponto Final».

A última edição de O Independente, com 32 páginas e com o mesmo preço de capa, conta a história dos 18 anos do semanário e mostra várias manchetes, fotografias e cartoons que marcaram a existência do jornal.

O Independente de hoje, que não tem editorial assinado pela directora Inês Serra Lopes, publica a opinião de nove comentadores: Manuel Falcão, Piet Hein, Miriam Assor, Ulisses Pereira, Carlos da Câmara, João Pereira Coutinho, Miguel Esteves Cardoso, José Júdice e Zé Diogo Quintela.

O único artigo de fundo do jornal é uma peça de Leonardo Ralha intitulado «Independência e Morte», sobre a tendência de desaparecimento dos títulos de imprensa lançados fora da influência de grandes grupos de comunicação. «A sobrevivência é uma missão quase impossível fora dos escassos grupos que dominam o mercado», pode ler-se no artigo.

Os últimos dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT), relativos ao primeiro trimestre deste ano e divulgados a 28 de Junho, mostram que O Independente protagonizou a maior descida do segmento dos jornais semanários generalistas. As vendas médias eram de 9.392 exemplares.

A sociedade que editou o Independente (Soci) foi criada nos finais de Fevereiro de 1988, tendo como accionistas principais a Cerexport (família Nobre Guedes), Joaquim Silveira, Carlos Barbosa, Miguel Anadia, Francisco e Pedro Fino e Frederico Mendes de Almeida.

Miguel Esteves Cardoso, Paulo Portas e Manuel Falcão fizeram parte do projecto inicial do jornal, com o primeiro como director, o segundo como director-adjunto e o terceiro enquanto subdirector.

A ideia ganhou pernas e a primeira edição do Independente foi para as bancas a 19 de Maio de 1988, assumindo-se como um jornal «democrata e conservador», contador de histórias, com graças, humor e alguma irreverência.

A troca de accionistas foi acontecendo ao longo dos anos e Miguel Esteves Cardoso abandonou a direcção em Março de 1990, depois de desentendimentos com a administração do jornal. Paulo Portas assumiu o comando, rodeado por uma equipa de trabalhadores jovens, e vários casos polémicos fizeram manchetes no Independente.

Em Agosto de 1995, Paulo Portas saiu da direcção do jornal, juntamente com Helena Sanches Osório, que desde o início fez parte deste projecto jornalístico. Isaías Gomes Teixeira e a Constança Cunha e Sá assumiram os cargos de director e directora-adjunta do Independente, respectivamente.

Um ano depois, Gomes Teixeira saiu e Constança Cunha e Sá ficou na frente do projecto, para mais tarde vir a ser substituída por Inês Serra Lopes. O jornal foi perdendo leitores e baixando as vendas ao longo dos anos e nem o regresso de Miguel Esteves Cardoso à sua direcção em meados de Julho conseguiu travar o declínio.

Em 2001, Inês Serra Lopes e Vítor Cunha, representantes de um grupo de investidores, chegaram a acordo com Paes do Amaral para compra do semanário, afastando Esteves Cardoso e assumindo o controlo do jornal. A jornalista manteve-se até hoje à frente do Independente.