Para Nuno Morais Sarmento a questão nem se põe em causa, mas ao mesmo tempo apela a que «todos se lembrem que também há limites, a partir dos quais o modelo é perverso».

Morais Sarmento, que começou por assinalar «o sublinhável» trabalho que foi feito na RTP1 e na 2:, afirmou considerar que «ainda há um longo percurso a fazer na RTP». Sem fazer alusão à notícia do «Expresso» sobre uma eventual mudança da direcção de informação da RTP, o ministro fez questão de sublinhar que «ninguém negará que nunca, tanto como agora, existiu independência, quer em editoriais, conteúdos, etc, na RTP, por parte do Governo». Mas lembra que «no fim do dia, não são os jornalistas que vão responder perante o povo. Quem depois responde pelas opções políticas e pelo gasto do dinheiro público, não são os jornalistas doutorados. Nem são, no limite, as administrações (.). E, de facto, é o poder político que tem uma legitimidade, que cumpre com a função da democracia, mas quem vai a votos são os partidos, são os responsáveis políticos».

Esta era também uma reacção às palavras do deputado socialista Alberto Arons de Carvalho, que tinha pedido a Morais Sarmento para falar acerca da notícia do «Expresso», no passado sábado, e que dava conta, citando fonte oficial do Governo, que a manutenção de José Rodrigues dos Santos à frente da direcção de informação da RTP era «algo a avaliar».

Por isso, considera Morais Sarmento que «às vezes falamos de independência e não percebemos que, levada ao extremo, ela nega os objectivos que visa cumprir, que é fortalecer a democracia», adiantou o governante num Colóquio organizado pela RTP.

Assim sendo, e falando sobre o serviço público, na sua opinião «deve haver a definição de um modelo», onde devem «de estar todos (com as direcções, as administrações) concertados num modelo de programação. Depois a execução, com certeza, que é livre (.)», sublinha.

Quando questionado se acha que deve ser o Governo a escolher as direcções, tal como acontece com a administração, de informação e programação do serviço público, afirma que «com certeza, que não», mas acrescenta que «desde que se fale de maneira aberta, desde que esta conversa não seja uma conversa escondida, não há problemas na definição de uma fronteira que não é clara».

«O papel do poder politico dentro da RTP é um papel de constante exigência no sentido de dizer que o serviço público não é ainda suficiente, podemos melhorá-lo, seguramente em todas as áreas», refere ainda.