O ministro da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, esteve, esta terça-feira, no Jornal das 8, para uma entrevista sobre o plano de recuperação económica do país, onde explicou a sua visão para o futuro do país e a forma como os fundos europeus vão ser aplicados. 

Para o ministro, o mais importante é gastar “bem” e de forma “transparente e responsável” o dinheiro dos fundos, investindo na recuperação e na reforma da economia.

Penso que é um momento que devemos saudar: a União Europeia ter entendido a dimensão desta crise exigia que se mobilizasse para dar uma resposta a todos os Estados-membros compatível com a escala desta crise”, afirmou Pedro Siza Vieira.

Questionado sobre qual a visão que tem para o país depois da aplicação dos fundos europeus, o ministro da Economia espera um país com uma sociedade “mais inclusiva e mais justa”, onde os problemas sociais tenham vindo a ser resolvidos.

O ministro apontou ainda para a digitalização e a “descarbonização” da economia como metas a atingir nos próximos nove anos. Ainda assim, Pedro Siza Vieira relembrou que existem regras “apertadas” para a forma como o dinheiro do fundo pode ser aplicado.

Isto não é um saco de dinheiro relativo ao qual nós podemos fazer o que quisermos”, sublinhou. “Nos melhores anos, nós executamos três mil milhões de euros em projetos de fundos europeus. Agora, vamos ter de executar, durante os primeiros seis anos, seis mil milhões por ano.”

Pedro Siza Vieira garantiu que o investimento que vai ser feito é “orientado para o futuro”, com quase 40% do orçamento a incidir na área ambiental, 20% para a “transição digital” e o restante para combater vulnerabilidades sociais. No entanto, o ministro diz não se esquecer de que o momento é de “emergência” e não deixará de “investir no presente”.

"Estamos preparados para estender moratórias bancárias"

Muitos parceiros sociais têm expressado preocupação pela falta de protagonismo que as empresas têm tido no plano do Governo. O ministro descartou esse cenário e garantiu que está nas prioridades do Governo apoiar as empresas “num esforço de sobrevivência” a uma conjuntura “muito adversa”.

Estamos preparados para estender as moratórias bancárias, estamos preparados para flexibilizar o apoio à retoma progressiva e estamos preparados para lançar novas linhas de crédito”, explicou. “A contração máxima da economia ficou para trás, mas o que temos pela frente é muito incerto.”

O ministro da Economia quis ainda passar uma mensagem de tranquilidade às empresas, ao garantir que os esforços que fizeram até ao momento não sejam “deitados a perder”.

Nós temos um conjunto de verbas muito significativas no Plano de Recuperação e Resiliência dirigidas às empresas. Vamos contar com instrumentos de capitalização das empresas e vamos com contar a operação do novo Banco de Fomento, que vai estar disponível não apenas para apoiar a capitalização das empresas, mas também para estender crédito para os investimentos para modernizarmos a nossa economia.”

O desafio, para o ministro, poderá ser servir para modernizar a justiça e administração pública, uma vez que “ficaram no século 20”, por não terem acompanhado o processo de digitalização.