Identificar, reconhecer e lidar com as emoções - dito assim até parece fácil, mas a violência social e os comportamentos desajustados mostram que ainda muito está por fazer. O director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab), Freitas Magalhães, defende a «inserção de um programa de literacidade emocional» logo na pré-primária. «Tenho a certeza de que teríamos uma sociedade menos violenta», diz.

Em entrevista ao IOL e ao TVI24, este psicólogo explica que as crianças conhecem as emoções, «a dificuldade está em gerir e em regular essas emoções. Antes de mais têm de aprender o que são, porque há contextos em que as emoções se manifestam de forma completamente desadequada».

Veja e ouça aqui como, por exemplo, os conflitos numa sala de aula poderiam ser evitados.

«O mapa da face humana»

O FEELab apresentou recentemente o projecto FACE, que vai estudar cientificamente durante dez anos os movimentos e linguagens faciais dos portugueses, e Freitas Magalhães não tem dúvidas em quiparar este estudo aos Descobrimentos portugueses porque, explica, «vai «contribuir para o mapa da face humana».

Considerado um dos mais conceituados investigadores mundiais no estudo das expressões faciais, Freitas Magalhães diz não ter dúvidas em relação ao género - «as mulheres são mais expressivas do que os homens» -, também não tem dúvidas em relação à idade - «somos mais emotivos e expressivos durante a idade reprodutiva» -, mas tem algumas dúvidas em relação ao contexto social e é isso que vai tentar descobrir com o projecto FACE.

Por que sorriem mais as mulheres

Este psicólogo explicou também por que razão as mulheres são mais expressivas: «Acontece não só por uma necessidade psico-biológica, mas também por uma necessidade social. A mulher sorri mais intensamente, mas mais em tensão do que em descontração. Numa situação complicada, por exemplo, é capaz de ser mais sorridente porque tem sempre uma ideia pré-concebida de que se não sorrir pode ser mal-interpretada».

Essa necessidade feminina de sorrir, continua aquele especialista, «é tão habitual e rotineira, que já nem se apercebem, fazem-no naturalmente». O homem, por seu lado, «usa mais o sorriso como forma de dominação do espaço e como interacção».

O estudo das expressões faciais também pode ser muito útil na investigação criminal. Na entrevista ao IOL e ao TVI24, Freitas Magalhães explica que, «filmando determinado interrogatório, é possível fazer a interligação entre aquilo que é dito, aquilo que é dito de forma verbal e aquilo que não é dito, que está na expressão facial».

Este especialista defende, aliás, que a pessoa que está a ser interrogada deve saber que está a ser filmada: «Quanto mais tentar esconder a verdade, mais facilmente vai ser apanhada na armadilha da verdade. O nosso estudo funciona como um detector de incongruências emocionais».

O director do FEELab explica como tudo se processa num interrogatório. Veja e ouça aqui.

Freitas Magalhães sublinha que «uma coisa é viver as emoções, outra coisa é representá-las. E por muito bom actor que se seja, as emoções representadas nunca são iguais às verdadeiras».