Morreu há dois dias o primeiro doente com gripe A que desenvolveu uma resistência ao Tamiflu, revela a edição desta terça-feira do «Diário de Notícias». A notícia foi confirmada ao jornal por Judite Catarino, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que acrescenta ter havido, além deste, «outro caso de resistência num doente dos Açores ou da Madeira».

Judite Catarino disse ao «DN» que a morte «ocorreu na região de Lisboa e Vale do Tejo, numa pessoa entre os 40 e 50 anos que já tinha outras doenças». No entanto, alerta que, apesar de estarmos perante «casos de resistência, ainda está a ser analisado se houve uma mutação do vírus H1N1».

O Instituto Ricardo Jorge (INSA), laboratório de referência na gripe A, «está a analisar se houve ou não mutação». Jaime Nina, virologista do INSA, citado pelo «DN» afirma que, até ao aparecimento destas duas situações «não havia casos confirmados em Portugal» de mutações.

Resistência pode ter sido causada por administração tardia ou uso excessivo e inadequado dos medicamentos

Mas o especialista aproveita para desdramatizar, referindo que, a nível mundial, quando o Tamiflu já não faz efeito na «maior parte das vezes não se deve a resistências, mas sim à administração tardia do medicamento». De acordo com Jaime Nina, se o fármaco é dado 48 horas depois dos primeiros sintomas, pode não ter efeito.

Que foi provavelmente o que se passou num destes casos. «O doente tomou o Tamiflu durante dez dias e não melhorou. Depois, os médicos trataram-no com o zanamivir (relenza), mas foi tarde. Morreu ao fim de três dias de tratamento. Faltou uma terceira alternativa», explicou a responsável da divisão de epidemiologia da DGS.

Já a outra situação, uma mulher na casa dos 20 anos que vive nas Ilhas e que não tinha qualquer doença prévia, sobreviveu, apesar de ter estado em situação crítica. «A rapariga que teve a resistência reagiu depois ao relenza. Mas esteve mal», acrescenta ainda a perita da DGS, citada pelo «DN».

Uma possível explicação para as resistências está relacionada com o uso excessivo e inadequado dos medicamentos. «As pessoas podem já ter sido tratadas com este fármaco e depois quando precisam dele, o sistema imunitário tem memória e não reage», refere a especialista.