Uns contra, outros a favor, as dúvidas persistem quanto às alterações previstas para a grafia da língua portuguesa, com a aprovação do Novo Acordo Ortográfico. Os portugueses dividem-se nas opiniões acerca da possível mudança de algumas palavras portuguesas.

Foi entregue, no Parlamento, uma petição contra o Acordo Ortográfico, encontrando-se esta quarta-feira em debate algumas das alterações previstas. Entre os vários subscritores deste abaixo-assinado, constam Vasco Graça Moura, António Lobo Xavier, José Pacheco Pereira, Eduardo Lourenço, entre outros.

As alterações nas palavras tão usadas pelos portugueses ainda provocam dúvidas e alguns dissabores. Tão habituados a falarem a sua língua sempre da mesma maneira, dizem que já não se encontram capazes de aprender a falar e a escrever de uma maneira diferente.

«Vai ser difícil escrever com o novo acordo», disse Otília Mendes ao tvi24.pt, uma doméstica que considera que, com o novo Acordo Ortográfico, a língua «vai ficar um pouco abrasileirada».

Carlos Santos, bancário reformado e licenciado em Direito, concorda com a posição tomada por Vasco Graça Moura, na entrega da petição contra o novo Acordo Ortográfico.

«Vai criar muitos problemas», disse o ex-bancário ao tvi24.pt. Na sua opinião, «os estudantes de uma forma geral dão muitos erros», temendo que «esse problema se agrave».

As alterações na língua portuguesa são reprovadas segundo vários pontos de vista. Teresa Castelão, professora universitária, garante que a aprendizagem vai ser mais difícil, no que toca, por exemplo, ao facto de ler sem acentos. «Não devia haver Acordo Ortográfico nenhum, devíamos manter a língua portuguesa tal como ela está», afirmou.

A língua portuguesa «deve manter a essência do continente», defendeu a professora universitária.

Também alguns estudantes partilham desta opinião, considerando que «não devemos alterar a gramática (...) é a nossa língua», disse uma estudante universitária ao tvi24.pt.

No entanto, nem todos têm uma posição negativa quanto ao Novo Acordo Ortográfico. Também reformado, João concorda com o Acordo: «Acho que vem engrandecer a língua portuguesa.»

Não à sua aplicação, pois a língua portuguesa perde a sua essência. Sim à sua aplicação, numa tentativa de uniformizar a língua em relação a outros países, como por exemplo alguns estados-membros da CPLP, onde já está em vigor o Novo acordo Ortográfico.