A Polícia Judiciária (PJ) decidiu criar uma equipa multidisciplinar para investigar a morte de vários toxicodependentes que morreram este mês em Coimbra alegadamente devido a adulteração da droga que consumiam.

Pelo menos nove pessoas morreram na cidade, desde 01 de Janeiro, na sequência do consumo de drogas.

O delegado regional do Centro do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), Carlos Ramalheira, estima que «apenas seis pessoas» terão sido vítimas de «morte súbita em meio de rua» relacionada com «alguma anomalia dos produtos injectados».

Carlos Ramalheira disse esta tarde à agência Lusa que estas mortes poderão ter resultado de overdose com substância em estado puro, «não cortada», ou com «uma droga cortada com produtos tóxicos».

PJ procura explicações

Na semana passada, face ao problema, a PJ de Coimbra constituiu uma equipa de investigação que inclui elementos das secções dos Homicídios e do Tráfico de Estupefacientes.

«Não sabemos ainda quais são as causas destas mortes. Estamos a recolher dados no sentido de encontrar algum elemento objectivo» que indicie «eventual adulteração», informou uma fonte policial.

No entanto, «é muito prematuro falar em adulteração» da droga, acrescentou, realçando que o Inverno «é um tempo mais depressivo» em que tende a verificar-se um maior consumo de estupefacientes.

A fonte da PJ encara como possível algumas destas pessoas terem morrido devido a problemas de saúde associados ao consumo de drogas, ou que se tenham injectado enquanto faziam tratamento de substituição da heroína com metadona, o que é incompatível.

Todavia, segundo Carlos Ramalheira, responsável máximo do IDT na região, nenhum dos falecidos estava a ser acompanhado pelos serviços deste instituto do Ministério da Saúde, «nem havia qualquer problema de substituição, designadamente com metadona».

Carlos Ramalheira salientou que o IDT «está a trabalhar em cooperação» com o Ministério Público, forças de segurança e o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) no sentido de encontrar uma explicação para estas mortes.

Quatro dos corpos foram autopsiados em Coimbra pelo INML. «Estão ainda a ser realizados os exames de natureza toxicológica», disse à Lusa o presidente do instituto, Duarte Nuno Vieira.