A operação de remoção dos resíduos perigosos depositados em São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, foi suspensa depois de detetados “antigos engenhos explosivos”, revelou hoje a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR-N) do Norte.

Num esclarecimento enviado ao início da noite à agência Lusa, a CCDR-N confirmou que “foi detetada a presença de alguns antigos engenhos explosivos” nos terrenos das antigas minas de São Pedro da Cova, local onde em 2001/2002 toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da Siderurgia Nacional, que laborou entre 1976 e 1996, na Maia, foram depositados.

[A deteção dos explosivos] motivou a adoção de medidas de segurança tendo em vista salvaguardar as pessoas que trabalham na operação. Para além da suspensão dos trabalhos, foi solicitada a intervenção do Comando Territorial do Porto da GNR e acionadas as medidas de segurança consideradas adequadas, envolvendo as autoridades competentes”, lê-se no esclarecimento da CCDR-N.

Quanto à retoma da operação de remoção dos resíduos, uma ambição da população que há décadas luta pela requalificação do espaço, a CCDR-N refere que “espera retomar tão brevemente quanto possível, dando cumprimento ao objetivo fixado”.

Em causa “remover e transportar para aterro próprio e adequado a totalidade dos resíduos perigosos depositados em São Pedro da Cova”, acrescenta a entidade, reconhecendo que este é “um dos mais importantes passivos ambientais da região Norte”.

À data, os trabalhos previstos encontram-se executados a cerca de 90%”, revelou a CCDR-N.

A remoção destes resíduos começou em outubro de 2014, mais de 10 anos depois do depósito, tendo terminado em maio do ano seguinte, com a retirada de 105.600 toneladas.

Para dar seguimento à operação, o Estado alocou a esta empreitada 12 milhões de euros do Fundo Ambiental.

O concurso registou sete candidatos e em abril de 2018 foi anunciado que a remoção terminaria em 2019, mas o processo foi adiado devido a uma impugnação judicial que só conheceu um desfecho a 15 de novembro de 2019.

A 13 de maio foi tornado público que o Governo vai disponibilizar 2,2 milhões de euros para prolongar a remoção depois de ter sido detetado que existem mais 28 mil toneladas, valor que corresponde a mais 20% de resíduos ainda por retirar, de acordo com o que disse à Lusa o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins.

Ao longo dos anos, esta situação motivou perguntas e requerimentos de partidos políticos, bem como iniciativas locais como vigílias, concentrações e protestos, e o envio ao primeiro-ministro, António Costa, de milhares de postais com a frase "Remoção total dos resíduos perigosos em São Pedro da Cova já", acompanhada de imagens a simbolizar sinais de perigo.

Hoje, a União de Freguesia Fânzeres e São Pedro da Cova frisou a exigência por uma auditoria final à remoção dos resíduos perigosos, reclamando o envolvimento de várias especialidades e do Ministério do Ambiente.

Em comunicado, esta autarquia lembrou que “a conclusão da remoção dos resíduos é parte de uma das maiores batalhas travadas em Portugal pela correção de um grave crime ambiental, neste caso cometido contra a população e a freguesia de São Pedro da Cova”, e exigiu um total esclarecimento.

/ CE