O Papa Francisco nomeou, este domingo, como cardeal o arcebispo português D. José Tolentino Mendonça. O consistório, para a criação de 13 novos cardeais, está agendado para 5 de Outubro, no Vaticano.  

José Tolentino Calaça de Mendonça, de 53 anos, é bibliotecário e arquivista da Santa Sé. Foi o segundo nome a ser anunciado numa lista da qual faziam parte colaboradores diretos do Papa e responsáveis de várias dioceses do mundo. O anúncio foi feito após a recitação do Angelus.

O arcebispo madeirense torna-se assim no o sexto cardeal português do século XXI e o terceiro a ser designado no atual pontificado. Passa também a ser o segundo membro mais jovem do Colégio Cardinalício.

Tolentino Mendonça junta-se agora a D. José Saraiva Martins, D. Manuel Monteiro de Castro, D. Manuel Clemente e D. António Marto.

Nasceu a 15 de dezembro de 1965, em Machico, na Madeira, foi ordenado padro em 1990 e bispo em 2018.

Presidente da República felicita Tolentino de Mendonça

Marcelo Rebelo de Sousa felicitou a nomeação de o arcebispo português D. José Tolentino Mendonça como cardeal, através de uma nota publicada na página da Presidência da República.

O Presidente da República manifesta o mais profundo júbilo pela elevação do Senhor Dom José Tolentino de Mendonça ao Cardinalato, traduzindo o reconhecimento de uma personalidade ímpar, assim como da presença da Igreja Católica na nossa sociedade, o que muito prestigia Portugal", lê-se na nota.

 

O Presidente da República sublinha a excecional relevância do novo cardeal como filósofo, pensador, escritor, professor e humanista", acrescentou.

De acordo com a mesma nota, o Chefe de Estado adianta que tenciona estar presente na cerimónia de imposição do barrete cardinalício.

Em julho, Marcelo Rebelo de Sousa tinha escolhido o arcebispo para presidir as comemorações do 10 de Junho de 2020, que vão decorrer na Madeira e na África do Sul.

José Tolentino Mendonça: poeta, professor e cardeal

José Tolentino Calaça de Mendonça, que em outubro será nomeado cardeal, nasceu em dezembro de 1965 em Machico, ilha da Madeira, destacando-se como poeta, sacerdote e professor.

Autor de numerosos livros, que o tornaram conhecido pelos portugueses dos mais diversos quadrantes, exerce atualmente as funções de arquivista nos arquivos secretos do Vaticano, sendo bibliotecário da Biblioteca Apostólica.

Estudou Ciências Bíblicas em Roma e viveu em Lisboa, onde, foi professor e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, a instituição que escolheu para o doutoramento em Teologia Bíblica.

Entre as várias funções eclesiásticas que exerceu, foi publicando uma vasta obra de poesia, ensaio e teatro. Colaborou em muitos outros livros como tradutor e organizador.

Considerou a poesia, a arte de resistir ao tempo e viu a sua obra, como autor, distinguida com vários prémios, entre os quais o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae, para ensaio (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016), O Grande Prémio APE de Crónica (2016) e o Prémio Capri-San Michele (2017).

Iniciou os estudos de Teologia em 1982 e foi ordenado padre em 1990, tendo sido nomeado, em 2011, consultor do Conselho Pontifício da Cultura.

Em 2015, foi um dos autores selecionados para os exames nacionais de Português, em 2015.

O novo cardeal designado foi agraciado com duas comendas: Ordem do Infante D. Henrique e Ordem Militar de Sant´Iago de Espada.

Em 26 de junho de 2018, o vice-reitor da Universidade Católica e diretor da Faculdade de Teologia, José Tolentino Mendonça, foi indigitado como arquivista e bibliotecário do Vaticano, cargo para o qual lhe foi atribuído o título de arcebispo.

Tolentino Mendonça ficou a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo, substituindo Jean-Louis Bruguès, que assumiu o cargo em 2012.