O Ministro da Administração Interna pediu, esta quinta-feira, à Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) a abertura de um inquérito sobre a fuga de 17 migrantes ilegais do quartel do Exército, em Tavira

O Ministro da Administração Interna determinou à Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) a instauração de um processo de inquérito sobre os factos relacionados com a fuga de dezassete cidadãos estrangeiros que se encontravam instalados no Quartel da Atalaia, do Regimento de Infantaria nº 1 do Destacamento de Tavira, ocorrida na madrugada de hoje", lê-se no comunicado.

O documento esclarece que este inquérito tem como objetivo apurar as circunstâncias em que a fuga ocorreu, bem como eventuais responsabilidades disciplinares de elementos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e da Polícia de Segurança Pública (PSP). 

A fuga ocorreu a meio da noite, por volta das três da manhã, através de uma janela das instalações militares. Dos 17 fugitivos, cinco já foram apanhados. 

Os 24 cidadãos estrangeiros que estavam instalados no Quartel do Regimento de Infantaria nº 1 do Destacamento de Tavira, encontravam-se a fazer a quarentena profilática, depois de dois deles terem acusado positivo à covid-19.

Está um dispositivo montado na fronteira, para monitorizar as movimentações e proceder à identificação de viaturas.

Os migrantes oriundos do Norte de África foram intercetados na ilha Deserta a 16 de setembro e foram depois ouvidos no Tribunal Judicial de Faro por entrada e permanência irregular em território nacional, tendo sido aplicada como medida cautelar o seu afastamento de território nacional.

Acordo com Marrocos sobre migração legal para breve

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse hoje que Portugal está a discutir com Marrocos, já em fase avançada, um programa de imigração legal, que espera concluir em breve.

O ministro falava na apresentação do balanço do primeiro ano do plano nacional de implementação do Pacto Global das Migrações, quando questionado sobre a fuga de um grupo de migrantes indocumentados que tinha desembarcado no Algarve em setembro e que estava no quartel de Tavira.

Esse programa, que deve ser concluído em breve “dentro dos encontros programados” entre os dois países “visa concluir esse acordo de migração legal”, e vai permitir “obstar a que se verifiquem fenómenos de imigração ilegal”, disse Eduardo Cabrita.

O responsável admitiu que não tinha uma reposta para a pergunta sobre como é que 17 pessoas fugiram de um quartel e disse que por isso mesmo se justificou a realização de um inquérito, “e se for o caso a adoção de medidas de natureza disciplinar” sobre funcionários.

O ministro realçou que  o relacionamento entre Portugal e Marrocos é de “uma velha amizade” e que os dois países mantém uma “relação estreita” que o Governo valoriza.

Parte do grupo de migrantes indocumentados que desembarcou no Algarve em setembro fugiu esta madrugada do quartel do exército de Tavira, onde aguardavam pelo seu afastamento do país, disse fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Cláudia Évora