Os habitantes de Almeida, no distrito da Guarda, decidiram dar mais um dia à administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para que possa repensar a manutenção do balcão local, situado na sede do concelho que faz fronteira com Espanha.

Na terça-feria, presidente e vice-presidente da Câmara de Almeida deslocaram-se a Lisboa para uma reunião com a administração da Caixa Geral de Depósitos, que não aconteceu. Reuniram-se apenas com o diretor-geral.

Regressados a Almeida pelas 22:15, altura em que comunicaram à população o sucedido, os autarcas apelaram para que seja dado o dia de quarta-feira à administração do banco, de forma a inverter a decisão de encerramento, mantendo o balcão em funcionamento, com o serviço de tesouraria.

Vamos dar um dia à administração da CGD no sentido de perceber que a nossa união está forte, que as nossas razões são muitas, que a nossa situação é única, que é uma discriminação", declarou o vice-presidente da Câmara Municipal de Almeida, Alberto Morgado.

O autarca também pediu à população de Almeida e do concelho, porque as contas estão agora domiciliadas no balcão de Vilar Formoso, para que, na quinta-feira, pelas 14:30, se dirijam àquela dependência.

Alberto Morgado exigiu ao Governo que o administrador da Caixa, Paulo Macedo, "repense a estratégia", sob pena de ser pedida a sua demissão.

Terça-feira de barricada

Na terça-feira, populares voltaram a ocupar o balcão da Caixa Geral de Depósitos em Almeida, no distrito da Guarda.

Dezenas de cidadãos e o número três da autarquia, o vereador António José Machado, estiveram na dependência desde a tarde. Saíram para jantar, prometeram voltar, mas a decisão da CGD estava já tomada.

A ocupação, que ocorreu de forma ordeira, aconteceu no mesmo dia em que estava marcada, em Lisboa, uma reunião entre o presidente e o vice da Câmara de Almeida e representantes da administração do banco público, e já depois de uma primeira ocupação, no passado dia 26 de abril.

Os populares estão contra o encerramento do balcão de Almeida, um dos muitos que vão fechar portas. Só estava garantida a sua manutenção até esta terça-feira.

A administração da Caixa Geral de Depósitos não recebeu os autarcas de Almeida, exigindo a desmobilização do protesto que decorria à mesma hora.

O autarca António Ribeiro disse à TVI que "foi colocada como exigência para ser recebido pelo Conselho de Administração" que "desmobilizasse as pessoas que se encontram na agência em Almeida", o que, explicou, não dependia da sua vontade.

Entretanto, segundo o vice-presidente Alberto Morgado, o presidente da Câmara, "exigiu que lhe fosse garantido" que os serviços de tesouraria continuariam na agência de Almeida.

E eles [CGD] como também não garantiram isso previamente, acabou por não haver reunião, lamentavelmente", rematou o vice-presidente.

Após a reunião, Alberto Morgado disse que ele e o presidente da autarquia, António Batista Ribeiro, se deslocariam para Almeida onde, à chegada, tencionavam "reunir com as pessoas" que participam no protesto pacífico.

A população não sai de lá. Nós vamos diretos para Almeida", garantiu, explicando que não ficou marcada nova reunião com a CGD, embora tenha sido manifestada "abertura para diálogo".

No entanto, como os dirigentes da CGD "não garantiram o serviço de tesouraria" no balcão de Almeida, o autarca assegura que "a luta continua" e "as pessoas não querem sair, não querem desmobilizar".

"Ninguém em Almeida fica sem serviços da Caixa"

A Caixa Geral de Depósitos disse que, apesar de continuar disponível para encontrar soluções para servir a população do concelho de Almeida, a ocupação da agência levou ao cancelamento da reunião com as autoridades locais.

"A Caixa Geral de Depósitos continuará a servir os cidadãos do concelho de Almeida e está disponível para encontrar, em articulação com as autoridades locais, a melhor forma de servir a população", lê-se num comunicado divulgado pelo banco público.

"No entanto, face à ocupação da agência, mais uma vez, hoje, deixou de fazer sentido realizar qualquer reunião com aqueles responsáveis, porquanto essa situação configura uma forma de pressão reiterada, não legítima e imprópria de um Estado de Direito", salienta a CGD.

O banco estatal adianta que, durante as últimas semanas, manteve "contactos e reuniões com as autoridades locais, à semelhança de outras autarquias, no sentido de se encontrar uma solução de manter serviços da instituição na sede de concelho e que passariam nomeadamente por, num período de transição, a Caixa assegurar a permanência de colaboradores no balcão de Almeida", realçando: "A Caixa cumpriu a sua parte. Mas recusa aproveitamentos políticos de qualquer ordem".

Segundo a CGD, "depois de cinco anos consecutivos de prejuízos e diminuição de atividade comercial e com um nível de movimentos de tesouraria muito abaixo da média na agência de Almeida", o banco vai continuar a assegurar "a prestação de serviços aos clientes e continuará presente no concelho de Almeida através da sua agência de Vilar Formoso, assegurando deste modo a presença em todos os concelhos em que vinha atuando".

O banco estatal admitiu que "no futuro, e em articulação com a Câmara Municipal, poderia ser criado um acompanhamento aos clientes da Caixa nas instalações do município ou Junta de Freguesia, assegurando que estes não fiquem sem serviços", revelando que 66% do movimento balcão de Almeida são atualizações de cadernetas e consultas.

"Face à necessidade de reorganização e otimização da sua rede de balcões e compromissos internacionais firmados, a Caixa Geral de Depósitos está a reformular os seus canais, através da criação de postos de atendimento, do aumento progressivo da automação da generalidade dos procedimentos bancários básicos como depósitos e levantamentos, bem como do reforço da figura do gestor de cliente", justificou a CGD.

Segundo o banco público, "esta aposta da Caixa traduziu-se, no final de abril, num aumento de cerca de 30% dos clientes com acompanhamento de um gestor de cliente dedicado, nas áreas onde a Caixa está a reformular a sua presença, face à situação anterior", acrescentando que as vantagens da adesão aos serviços Caixadirecta, que permite um contato 24 horas por dia com a Caixa, através de telefone e da Internet.

"A Caixa disponibiliza zonas de 'self-banking', acompanhamento personalizado, e acompanhamento em fase transitória, de forma a salvaguardar e esclarecer os clientes mais vulneráveis e com menor literacia financeira", destacou, garantindo: "Ninguém em Almeida fica sem serviços da Caixa, não obstante a presença de outra instituição financeira na localidade".

/ Andreia Marques/CM/AM - Notícia atualizada às 00:01