O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse que a higienização das ambulâncias é “competência” dos profissionais do instituto, na sequência de críticas após a GNR ter deixado de fazer a limpeza, no contexto da covid-19.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar criticou a decisão do INEM de terem de ser os técnicos a fazer a desinfeção das ambulâncias, que era assegurada pela Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, alertando, nomeadamente para o tempo que a operação vai demorar.

“Percebo as preocupações dos profissionais e estamos preocupados com a segurança dos doentes que transportamos e com os nossos profissionais. Mas a limpeza é uma das suas funções e competências”, disse Luís Meira.

“Em todas as mais de 100 ambulâncias do INEM no país os profissionais têm competências para garantir a desinfeção”, afirmou o presidente do Conselho Diretivo do INEM, na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde sobre a evolução da pandemia no país.

De acordo com o presidente do INEM, o apoio de equipas da GNR e do exército na limpeza de viaturas, que agora terminou levando a críticas do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, estava previsto apenas “para a fase de contenção” da pandemia e a atuação depende das “justificações científicas e técnicas adequadas a cada momento”.

Esta terça-feira de manhã, em declarações à agência Lusa, o presidente Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Pedro Moreira, questionou se a desinfeção feita pelos técnicos garante o mesmo nível de proteção do que a realizada pela GNR.

“Se o próprio instituto reconheceu a necessidade dessa desinfeção ser feita e garantida pela GNR com material e equipamento que por eles era prestado, e que agora não está a ser disponibilizado pelo instituto, interrogámos o que é que levou a isso” e se “garante o mesmo nível de proteção”, disse Pedro Moreira.

GNR está disponível para assegurar desinfeção das ambulâncias do INEM

O ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, garantiu que há "plena disponibilidade" da GNR para proceder à desinfeção das ambulâncias do INEM, salientando, no entanto, que a avaliação de risco deve ser feita pelas entidades responsáveis.

Em causa está o encerramento das linhas de descontaminação de viaturas e fardas, após a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR ter deixado de fazer tal serviço.

Em declarações à margem da cerimónia de inauguração da Esquadra da PSP de Cedofeita, no Porto, Eduardo Cabrita adiantou que durante este período a Guarda Nacional Republicana (GNR) procedeu à desinfeção de mais de 3.000 ambulâncias do INEM, da Cruz Vermelha e de corporações de bombeiros, bem como de mais de uma centena de lares de idosos e creches, atividade que, garantiu, há disponibilidade para manter.

Da parte da GNR há plena disponibilidade para manter essa atividade, agora naturalmente em articulação técnica com uma avaliação de risco que deve ser feita pelas entidades responsáveis pelas instalações, neste caso pelo INEM", afirmou hoje Eduardo Cabrita.

Ouvido pelo JN, o INEM explicou que quer que a desinfeção "volte à sua rotina habitual", feita pelos técnicos, assegurando que estes têm "todos os equipamentos e produtos necessários para cumprir aquela que é uma das suas funções: garantir a manutenção e prontidão das ambulâncias".

O ministro da Administração Interna foi ainda questionado sobre a decisão do INEM de colocar provisoriamente em Loures o helicóptero estacionado no Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato, em Viseu, decisão que foi já repudiada pelo presidente da autarquia, António Almeida Henriques, que considera que "esta decisão maltrata, mais uma vez, os territórios do interior".

Eu não tenho tutela do INEM, mas daquilo que sei, quer do contacto com a senhora ministra da Saúde, quer do contacto com a Câmara de Viseu, é que acham ambas o mesmo é que devem ser criadas as condições técnicas para o helicóptero continuar em Viseu", afirmou Eduardo Cabrita.

O INEM anunciou na segunda-feira, através de um comunicado, que o helicóptero atualmente posicionado em Viseu irá ser "relocalizado temporariamente no heliporto de Salemas, em Loures, de forma a manter a operacionalidade deste meio aéreo e sempre no cumprimento estrito de todos os requisitos e normas aplicáveis à operação aeronáutica".

Segundo o INEM, o helicóptero vai operar a partir de Salemas até que seja implementada uma solução definitiva que permita a certificação do heliporto de Santa Comba Dão como base permanente.

O INEM avança que esta solução está a ser trabalhada entre as entidades responsáveis, tendo sido garantido ao instituto que a criação das condições necessárias para a certificação do heliporto irá acontecer num curto espaço de tempo.

/ AM