O coordenador do plano de vacinação, Henrique Gouveia e Melo, anunciou esta quarta-feira que a vacina da Janssen vai ser alargada a todas as faixas etárias do sexo masculino.

Se tudo correr bem, se as vacinas que estão previstas no plano chegarem a território nacional e com boas notícias que vêm da DGS, no sentido de abrir a Janssen, pelo menos para todas as faixas etárias dentro do sexo masculino, permite-nos aproveitar muito mais vacinas e trazer ao plano muito mais vacinas, o que vai fazer com que o ritmo de vacinação não só se mantenha como possa ser acelerado”, disse durante o 23.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

De recordar que esta vacina tem sido administrada apenas a pessoas com mais de 50 anos. 

A DGS está a preparar uma alteração muito significativa. A vacina estava limitada a pessoas acima dos 50 anos e o que os novos dados trouxeram é que o risco, apesar de muito baixo - um em um milhão -, estava essencialmente concentrado no sexo feminino abaixo dos 50 anos. O que se vai fazer é tirar essa limitação ao sexo masculino", acrescentou. 

O coordenador da task-force disse que ao ser retirada essa limitação, é aberta a "possibilidade de dar a vacina ainda a um bom milhão ou milhão e meio de portugueses".

Para o vice-almirante existem três grandes focos: salvar vidas, como já foi referido; "salvar a tropa que vai combater", ou seja, os profissionais de saúde; e ainda a libertação da economia e da população. Para isso, é preciso vacinar a população no maior número e o mais rapidamente possível a população.

Se tudo correr bem, no início de agosto teremos 70% da população vacinada. No fim de agosto, já estaremos a vacinar pessoas com 20 anos, portanto, o processo já estará na sua fase final."

Gouveia e Melo referiu ainda que este mês vão ser vacinadas por dia, em média, 100 mil pessoas. Mas, caso seja necessário, e com mais horas de trabalho diárias, o país poderá ter capacidade de vacinar 120 a 140 mil pessoas por dia.

"Já perdemos mais vidas do que em 13 anos de guerra"

Desde que a pandemia de covid-19 chegou, Portugal já perdeu mais vidas do que em 13 anos de Guerra Colonial, em três teatros de operações diferentes. 

O vice-almirante lembrou que durante esta guerra contra o vírus SARS-CoV-2, vive-se uma "elevada incerteza" e é preciso uma adaptação permanente às variáveis para não se perder o principal foco: salvar vidas. 

Durante um período de guerra vivemos com uma elevada incerteza, não dominamos as variáveis e temos de nos adaptar permanentemente a essa variáveis, mantendo o foco", disse durante o 23.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 14:10