Subiu para oito o número de mortes no lar de Reguengos de Monsaraz. As mais recentes vítimas são duas mulheres com mais de 90 anos, utentes do lar, sabe a TVI. Uma tem 94 e outra de 92 anos.

Até ao momento, registaram-se sete óbitos de utentes e o óbito de uma funcionária da instituição, que tinha cerca de 40 anos.

Uma das vítimas mortais morreu no hospital onde se encontrava internada.

Há ainda mais uma funcionária infetada no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS).

As Forças Armadas anunciaram entretanto que os profissionais de saúde das Forças Armadas vão continuar a prestar apoio “enquanto for necessário” aos idosos do lar.

Vamos continuar no lar, a prestar apoio, enquanto for necessário”, afirmou fonte do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), contactada hoje pela Lusa.

Na sexta-feira da semana passada, em comunicado, o EMGFA divulgou que 15 profissionais de Saúde do Hospital das Forças Armadas em Lisboa, incluindo médicos e enfermeiros, iriam dar apoio ao Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, onde existe um foco de covid-19, detetado no dia 18 de junho.

O mesmo comunicado indicava que, numa primeira fase, esse apoio, com os profissionais de Saúde divididos por cinco equipas, com turnos de 24 horas, iria decorrer até terça-feira desta semana.

A fonte do EMGFA contactada hoje pela Lusa revelou que os militares continuam empenhados nesta missão na instituição: “Diariamente, está no lar uma equipa de Saúde composta por um médico e dois enfermeiros, que fazem turno de 24 horas”.

E vamos continuar enquanto for necessário”, insistiu a mesma fonte militar, sem definir prazos.

O envio de profissionais de Saúde militares para este concelho alentejano resultou de um pedido feito pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

A atividade dos militares inclui “a organização e prestação de cuidados de rotina, bem como a avaliação clínica dos doentes e abordagem de eventuais intercorrências”, segundo o EMGFA.

A prestação de “apoio de consultadoria/aconselhamento técnico em termos de gestão de processos e do espaço, no contexto das adaptações necessárias numa unidade em que se encontram doentes infetados por este vírus”, é outro dos objetivos, de acordo com o comunicado do EMGFA.

Com a situação na FMIVPS, o concelho de Reguengos de Monsaraz regista o maior surto da doença provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 do Alentejo, contabilizando seis mortes (cinco utentes e uma funcionária do lar) e 140 casos ativos.

Do total de casos ativos, 96 são na FMIVPS, dos quais 23 entre os trabalhadores e os restantes 73 entre utentes, além de 44 na comunidade, de acordo com o comunicado de quarta-feira da câmara municipal, com dados conhecidos até ao final do dia anterior.

Ordem dos Médicos preocupada com qualidade dos cuidados

A presidente da sub-região de Évora da Ordem dos Médicos (OM) mostrou-se preocupada com a qualidade dos cuidados médicos prestados no lar de Reguengos de Monsaraz, onde estão dezenas de idosos infetados com covid-19.

O edifício onde funciona o lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) "não tem condições para ter doentes internados", afirmou Augusta Portas Pereira, em declarações à agência Lusa.

Segundo a responsável, os utentes da instituição que testaram positivo para a covid-19 encontram-se "em quartos com três e quatro camas e não há ventilação de ar", pelo que "os vírus circulam em ambiente fechado".

Augusta Portas Pereira lamentou, por outro lado, que a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo esteja a destacar médicos do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central para desempenharem funções no lar de Reguengos de Monsaraz.

Os médicos de família são altamente diferenciados para atuar na comunidade, seguem os doentes do nascimento até à morte e fazem, sobretudo, uma medicina preventiva. Não têm conteúdo funcional para acompanhar doentes internados num hospital de campanha", assinalou.

A responsável da OM insistiu que "os médicos de família não tem conteúdo funcional para atuar em situações de urgência e de emergência", notando que estes idosos "têm muitas doenças associadas e, com descompensações que podem ser rápidas, pode nem sequer dar tempo para o transporte para o hospital de Évora".

Se a ARS do Alentejo acha que estes doentes têm de ter médico 24 horas por dia, então, provavelmente, precisam de internamento num hospital", acrescentou.

Idosos infetados transferidos do lar para um pavilhão

Foi entretanto revelado pela autarquia que cerca de 60 idosos infetados com covid-19 vão ser transferidos do lar de Reguengos de Monsaraz (Évora) para um pavilhão, que está a ser preparado para os acolher, no parque de feiras da cidade.

“A expectativa é que a transferência seja feita ao início da manhã de sexta-feira, a seguir ao pequeno-almoço dos idosos”, disse hoje à agência Lusa o presidente da câmara, José Calixto, embora sem indicar hora, porque os trabalhos de preparação das instalações que vão receber os utentes do lar continuam a decorrer.

A transferência vai abranger cerca de 60 utentes infetados do lar: “E digo cerca de seis dezenas porque pode haver algum utente que esteja no hospital e que regresse positivo e, portanto, temos que acrescentar a essa lista. Mas todos os utentes positivos covid-19 que permanecem no lar vão ser transferidos para este pavilhão multiusos”, disse o autarca.

O presidente da câmara explicou que os trabalhos no pavilhão começaram “hoje de manhã em termos mais intensos” e deverão durar “entre 24 a 36 horas”.

Os idosos com covid-19, que têm sido mantidos no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), onde surgiu o surto da doença, no dia 18 de junho, vão ser levados para o pavilhão multiusos por este oferecer melhores condições, disse José Calixto.

Trata-se de “um pavilhão climatizado” e que, “face às temperaturas que se aproximam, é mais adequado para a qualidade de vida” dos idosos, possuindo “espaços exteriores em que eles podem deslocar-se”, pois, o parque de feiras está vedado, indicou.

A transferência, decidida “no momento adequado” pela Autoridade de Saúde Pública e aprovada hoje pela Comissão Municipal de Proteção Civil, visa “a melhoria da qualidade de vida dos utentes”, sublinhou.

Por outro lado, “aproximamo-nos dos 14 dias sobre a eclosão do surto epidémico no lar e isso permitirá termos a expectativa que a Autoridade de Saúde Pública mande fazer testes a estes utentes positivos”, referiu.

“Assim que alguns forem considerados oficialmente curados e queremos que sejam todos, temos que, entretanto, descontaminar toda a instalação atual do lar” para que possam depois regressar “todos curados, em boas condições”, a essas mesmas instalações”, vincou José Calixto.

No pavilhão multiusos, que deverá ter 64 camas, está a ser feito “um trabalho imenso”, com a montagem de divisórias para os quartos dos doentes, de instalações sanitárias, balneários e de “todo um circuito diferenciado para profissionais”.

Questionado pela Lusa sobre preocupações manifestadas hoje pela presidente da sub-região de Évora da Ordem dos Médicos (OM), Maria Augusta Portas, em relação à qualidade dos cuidados médicos prestados no lar, o autarca disse não conseguir “falar nas críticas neste momento” e preferiu elogiar “a tremenda dedicação” dos profissionais de Saúde no terreno: “Estamos a lutar por vidas humanas e esse é o único foco total”.

Carla Correia / Com Lusa (atualizado às 18:08)