Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa cumprem esta terça-feira uma nova greve parcial de manhã, prevendo-se que a circulação se inicie apenas às 10:15, num dia em que há também uma paralisação de 24 horas na Rodoviária de Lisboa.

De acordo com a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), a greve no Metro decorre entre as 05:00 e as 09:30 para a generalidade dos trabalhadores e das 09:30 às 12:30 para o setor administrativo e técnico, prevendo a transportadora que as estações não abram como habitualmente para iniciar a circulação de comboios às 06:30 e que o serviço arranque apenas às 10:15, como nas duas greves parciais da semana passada.

Nesses dois dias, o trânsito esteve durante a manhã congestionado em várias zonas da cidade de Lisboa, que esta semana está a receber o evento internacional Web Summit no Parque das Nações.

Trabalhadores do Metropolitano iniciaram também na segunda-feira uma greve ao trabalho extraordinário por 10 dias, renováveis, e para quinta-feira (dia 04) está prevista uma greve de 24 horas.

Estações do Metro estão fechadas, diz sindicato

A adesão à greve parcial dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa era às 06:50 elevada, encontrando-se todas as estações encerradas, disse à Lusa Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).

À semelhança das greves da semana passada, a adesão é elevada. Está tudo parado, não há maquinistas. Não há circulação de comboios e as estações estão fechadas", adiantou.

O pré-aviso foi entregue em 6 de outubro "devido à falta de respostas às questões colocadas, quer em reuniões com o ministro do Ambiente, quer com o presidente do Metropolitano de Lisboa", segundo a FECTRANS.

Na origem das paralisações estão um protesto contra o congelamento salarial e a reivindicação da aplicação de todos os compromissos assumidos pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática (inclusive a prorrogação do Acordo de Empresa), do preenchimento imediato do quadro operacional (com a reposição de efetivos) e das progressões na carreira.

Devido à paralisação no Metro de Lisboa, a Carris, gerida pelo município da capital, vai reforçar quatro das suas carreiras: 726 (no troço Pontinha Metro – Estefânia), 736 (nos troços Senhor Roubado – Marquês de Pombal e Campo Grande – Cais do Sodré), 744 (no troço Oriente – Restauradores) e 746 (no troço Sete Rios – Marquês de Pombal).

Segundo a empresa de serviço rodoviário, os reforços de carreiras vão ser assegurados nos dois dias de paralisação do Metropolitano esta semana, mas esta terça-feira incidirão apenas na hora de ponta da manhã, até cerca das 10:30, por se tratar de uma greve parcial.

Trabalhadores do Metro cumpriram em 26 e 28 de outubro duas greves parciais que, segundo a FECTRANS, tiveram uma adesão elevada. Já de acordo com a transportadora, no dia 26 de outubro a paralisação teve uma adesão de 42,62% e no dia 28 de 45,37%.

Na semana passada, o Metropolitano referiu em comunicado que se encontra “recetivo à discussão das propostas apresentadas pelas entidades sindicais, sendo as mesmas objeto de negociação”.

A empresa registou já greves parciais ao serviço em maio e junho, tendo em conta as mesmas reivindicações apresentadas para as novas paralisações.

O Metropolitano de Lisboa opera com as linhas Amarela (Rato-Odivelas), Verde (Telheiras-Cais do Sodré), Azul (Reboleira-Santa Apolónia) e Vermelha (Aeroporto-São Sebastião), das 06:30 às 01:00, todos os dias.

Também esta terça-feira, a Rodoviária de Lisboa – que opera nos concelhos de Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, todos no distrito de Lisboa, servindo cerca de 400 mil habitantes – enfrenta uma greve de 24 horas.

Segundo o presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Rodoviária de Lisboa, João Casimiro, o objetivo é reivindicar “salários dignos” da profissão de motorista de transportes públicos, estando ainda a decorrer uma greve ao trabalho extraordinário.

O sindicato espera uma adesão à volta dos 70%, e a empresa refere no seu ‘site’ que recebeu o pré-aviso de greve e pede desculpa por perturbações ao serviço.

Segundo João Casimiro, “um motorista de transportes públicos tem 700 euros de ordenado base, quando noutras empresas de transporte público já se atingiu o valor dos 750 [euros] em acordo”.

O representante diz haver disponibilidade para negociar com a administração da empresa, que se faz representar pela Associação Nacional de Transportes de Passageiros (ANTROP), mas tal foi recusado.

Os trabalhadores prometem continuar a marcar mais greves, inclusive esta terça-feira, dia em que decidirão em plenário as próximas datas.

/ JGR