O Infarmed ainda não recebeu nenhum "pedido formal" por parte do Hospital Santa Maria para o medicamento Zolgensma para a bebé Matilde, revelou o presidente do Conselho Diretivo da Autoridade do Medicamento, Rui Santos Ivo, em conferência de imprensa.

O medicamento Zolgensma tem um custo de dois milhões de euros e para que seja autorizada a sua utilização tem de ser feito um pedido de autorização de utilização excecional (AUE) do medicamento para a bebé de dois meses e meio que sofre de Atrofia Muscular Espinhal, que tem de ser feito pelo hospital que acompanha o caso, neste caso o Hospital Santa Maria.

Apesar de ainda não ter sido feito o pedido, Rui Santos Ivo assegurou que o Infarmed está em constante conversação com o Hospital de Santa Maria e também se "tem estado a articular com a ministra da Saúde e os secretários de Estado da Saúde" em relação a este caso.

"Estamos a recolher informação sobre este caso, que se rodeia de uma maior complexidade, sendo que até agora não recebemos esse pedido", acrescentou o responsável.

Caso o hospital faça o pedido formal e este seja autorizado pelo Infarmed - a resposta será dada em 24 horas - os pais de Matilde não precisarão de usar o dinheiro angariado, uma vez que o Estado financiará o medicamento.

"Quando há uma autorização de utilização excecional, o medicamento é autorizado e é disponibilizado pela instituição sem custos para o doente ao qual ele é prescrito e é administrado", garantiu Rui Santos Ivo.

O medicamento em causa é o Zolgensma, produzido pela AveXis/Novartis. É o mais recente tratamento para a atrofia muscular espinhal, uma doença que ameaça a vida de Matilde.

O medicamento está desde outubro do ano passado para aprovação na Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e poderá chegar a Portugal ainda este ano, segundo o laboratório, citado pelo SMA News Today, um portal norte-americano dedicado em exclusivo à atrofia muscular espinhal, SMA na sigla original.

Em Portugal, existe já um medicamento para o tratamento desta doença, o Nusinersen (Spinraza), que só este ano começou a ser comparticipado a 100%, mas não é tão eficaz ou inovador como o Zolgensma.

Desde que foi noticiada a doença de Matilde, têm-se multiplicado as ajudas, com os portugueses a mobilizarem-se para a causa.