Messes da Força Aérea em vários pontos do país foram alvo de buscas, numa operação conjunta da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da Polícia Judiciária (PJ). A TVI sabe que foram emitidos também seis mandados de detenção e que estes já foram cumpridos. Segundo fonte da investigação, duas das detenções - dois sargentos - foram efetuadas na Base Aérea de Monte Real, em Leiria, enquanto um capitão e um major foram detidos no Estado-Maior, em Alfragide.

A TVI sabe que suspeitas de corrupção na gestão financeira destas estruturas estão na origem da diligência levada a cabo esta quinta-feira por cerca de 400 operacionais (entre procuradores e investigadores das duas polícias judiciárias) em bases aéreas e outras unidades daquele ramo das Forças Armadas, bem como buscas domiciliárias a casas de militares e empresas fornecedoras.

Em causa estará o desvio de cerca de 30% do dinheiro dos orçamentos para a gestão das messes da Força Aérea, num esquema que envolvia a aquisição real de menos bens alimentares que os oficialmente encomendados.

O “lucro” daí resultante estaria a ser repartido entre fornecedores e militares envolvidos neste alegado caso de corrupção (entre eles, oficiais e sargentos - gerentes das messes, por exemplo). De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária, esta "atividade poderá ter lesado o Estado num valor que, segundo se estima, poderá rondar os 10 milhões de euros".

As buscas centram-se em 12 bases da Força Aérea, mas estendem-se mesmo até ao Estado-Maior, em Alfragide, onde é verificada e aprovada toda a contabilidade das messes.

Segundo o porta-voz da Força Aérea confirmou à TVI, as buscas estão a decorrer nas Base Aéreas de Sintra, Monte Real, Montijo e Beja, e ainda nas instalações da Força Aérea de Alverca, Ota, Monsanto, Alcochete e no aeroporto de Figo Maduro. Há também buscas a decorrer em 15 empresas e em diversos domicílios.

A TVI sabe também que esta investigação já dura há cerca de dois anos, no seguimento de uma denúncia anónima, começou por ser conduzida pela PJM, mas dada a dimensão que o caso tomou foi necessário alargá-la e envolver também a Polícia Judiciária “civil”.

Tudo com o conhecimento e a colaboração do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, desde o início, disse fonte próxima da investigação.

Só desde o passado dia 24 de fevereiro é que o General Manuel Teixeira Rolo é Chefe de Estado-Maior da Força Aérea; o que significa que o seu antecessor, o General José Pinheiro também tinha conhecimento e colaborava com a investigação, cessou funções e, ao passar o testemunho na liderança da Força Aérea, passou também toda a informação a Teixeira Rolo, garantindo que esta investigação da PJ e da PJM não entrava num impasse.

Sobrefaturação de alimentos que abasteciam as messes

A Procuradoria-Geral da República enviou um comunicados às redações no qual confirma esta operação, dando conta de "80 buscas domiciliárias e 25 buscas não domiciliárias, designadamente em equipamentos militares localizados na Grande Lisboa, em Beja e em Leiria".

Em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de falsificação de documento."

Segundo a PGR, algumas messes da Força Aérea seriam abastecidas com alimentos "cujo valor a pagar, posteriormente, pelo Estado Maior da Força Aérea, seria objeto de sobrefaturação".

Tal sucederia por acordo entre militares que trabalham nas messes, fornecedores dos géneros alimentícios e um elemento do departamento do Estado Maior da Força Aérea com funções de fiscalização das referidas messes."

O valor faturado seria "cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade" e o lucro seria dividido pelos elementos envolvidos. 

Investigações eram do conhecimento das Forças Armadas

As Forças Armadas afirmaram, através de comunicado enviado às redações, que "desde o seu início, as investigações em curso eram do conhecimento de um núcleo restrito da estrutura de comando deste Ramo das Forças Armadas".

Na mesma nota, a Força Aérea reforça que "colaborou e colabora - com total transparência - com as autoridades competentes para o efeito".