Mantendo-se a taxa de crescimento atual do novo coronavírus em território nacional, o tempo para atingir a taxa de incidência acumulada a 14 dias de 120 casos por 100 mil habitantes será de 15 a 30 dias para o nível nacional e menos de 15 dias para a região de LVT.

O alerta chega a partir do relatório de monitorização das Linhas Vermelhas, realizado pelo INSA em parceria com a DGS e que indica um número de novos casos de infeção por covid-19, acumulado nos últimos 14 dias, de 71 infeções.

Este é um número que preocupa a autoridade e que demonstra uma "tendência crescente a nível nacional" da pandemia.

Dessa forma, o relatório afirma que existe "transmissão comunitária de moderada intensidade", ainda que haja "reduzida pressão nos serviços de saúde". Isto, porque o número diário de casos de internados em Unidades de Cuidados Intensivos no continente revelou "uma tendência ligeiramente decrescente", correspondendo a 21% do valor crítico definido de 245 camas ocupadas;

No entanto, a frequência de novas variantes de preocupação e os aumentos dos valores do índice de transmissibilidade - que esta sexta-feira se situa nos 1,08 - devem ser acompanhados com atenção durante as próximas semanas, "em especial quanto a regiões com maior transmissão e ao seu reflexo no aumento do número de hospitalizações". 

De sublinhar ainda que, até 2 de junho, foram confirmados laboratorialmente 83 casos da variante B.1.617, associada à Índia (nove casos da linhagem B.1.617.1 e 74 casos da linhagem B.1.617.2). A maioria (74,7%) era do sexo masculino e com idade mediana de 35 anos.

A maior parte  foi identificada na região de Lisboa e Vale do Tejo (63,0%), tendo sido identificada em 9 distritos e 16 concelhos. As três nacionalidades mais frequentemente identificadas foram: portuguesa (47,0%), nepalesa (27,7%) e indiana (12,0%).

A ausência de ligação epidemiológica em alguns dos casos mais recentes pode indicar a existência de transmissão comunitária da mesma", avança o relatório que explica que esta variante tem tido introduções distintas em Portugal.

O microbiologista do INSA João Paulo Gomes disse na quinta-feira à noite que em Portugal foram detetados apenas 12 casos de uma mutação da chamada variante indiana de covid-19 e não 68 casos, como anunciou o Reino Unido.

O Reino Unido anunciou esta quinta-feira a saída de Portugal da lista verde de viagens internacionais, justificando a medida com o aumento de infeções de covid-19 e por terem sido identificados em Portugal 68 casos do que chamou variante nepalesa, “com uma mutação adicional potencialmente prejudicial”, que poderá ser mais transmissível e resistente às vacinas.

No que se refere à sequenciação genómica de amostras recolhidas em maio, cuja análise ainda está em curso, o INSA adianta que a prevalência estimada da variante B.1.1.7, associada ao Reino Unido, para o continente foi de 87,7%. 

 Até à última quarta-feira, foram registados 104 casos da variante B.1.351, associada à África do Sul, e 139 casos da variante P.1, associada a Manaus, Brasil, existindo transmissão comunitária destas duas estripes do novo coronavírus.

A proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 1,3%, valor que se mantém abaixo do limite definido de 4%, referem os dados da DGS e do INSA, que avançam que, na última semana, registou-se um aumento do número de testes de despiste do vírus.

Nos últimos sete dias foram realizados 325.390 testes, mais 51.174 do que os 274.216 feitos na semana anterior.

Segundo o relatório, a proporção de casos confirmados notificados com atraso foi de 7,1%, mantendo-se abaixo do limiar de 10%, e 89% dos casos de infeção foram isolados em menos de 24 horas após a notificação, tendo sido rastreados e isolados 83% dos seus contactos.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 21:15 horas