Este é o último dia da greve dos professores, que recebem a amarga notícia de que o Governo fez ouvidos moucos às reivindicações. O executivo socialista acaba de aprovar o decreto-lei que define que os professores vão recuperar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço efetuado. Os docentes exigem mais, bem mais: que os nove anos, quatro meses e dois dias que estiveram congelados entrem na contagem para a progressão na carreira.

O ministro da Educação defendeu, no final do Conselho de Ministros, que este diploma que define o modelo de recuperação do tempo de serviço dos docentes surge na “sequência do processo negocial” entre o executivo e os sindicatos dos professores, um processo que classificou de “longo”, disse aos jornalistas.

Os professores exigem a recuperação de nove anos, quatro meses e dois dias de serviço, motivo que levou a que os sindicatos agendassem uma semana de greves e uma manifestação nacional marcada para sexta-feira em Lisboa.

Tiago Brandão Rodrigues defendeu que “o Governo foi flexível" e "os sindicatos foram inflexíveis”.

O ministro explicou ainda que a recuperação dos cerca de dois anos e nove meses de trabalho, que terá efeitos a partir de 1 de janeiro, foi a solução encontrada pelo Governo para que a recuperação da carreira dos professores, que esteve congelada, tivesse “paralelismo nas carreira da Função Pública”.

O decreto-lei “vai permitir que muitos docentes possam acelerar as suas progressões já a partir no dia 1 de janeiro”, acrescentou.

É precisamente por causa desta questão que os sindicatos dos professores agendaram uma semana de greves, que termina hoje, com esta notícia amarga para os docentes. Há manifestação nacional marcada para amanhã, sexta-feira feriado, em Lisboa. Veremos como a classe reage,

Ontem, BE e PCP acusaram o Governo de não cumprir o artigo do Orçamento do Estado relativo à contagem do tempo de serviço dos professores. O PS negou e lamentou a ausência de “passos” de aproximação dos sindicatos.