O Governo determinou esta quarta-feira a criação de equipas especializadas em todos os corpos de bombeiros voluntários do continente, por forma a reforçar os meios para operações de apoio na área da saúde pública no âmbito da pandemia.

Em comunicado, a Secretária de Estado da Administração Interna adianta que as equipas especializadas intervêm no apoio, socorro e transporte de doentes, através da afetação permanente de uma ambulância de socorro e respetiva tripulação.

Esta medida implica o pagamento, às Associações Humanitárias de Bombeiros (AHB), de um valor diário de 85 euros por cada veículo a suportar pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”, é referido.

Na nota, a Secretaria de Estado da Administração Interna salienta que este pagamento às 412 AHB corresponde a um valor mensal superior a um milhão de euros.

Estas equipas foram criadas no âmbito das medidas de resposta do Governo à pandemia da doença covid-19.

O Ministério da Administração Interna reforça assim, através da criação destas equipas especializadas, a resposta operacional dos corpos de bombeiros perante o agravamento da situação epidemiológica e fortalece a capacidade financeira das AHB”, é destacado.

Liga dos Bombeiros diz que equipas especializadas são "pequena ajuda" financeira

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) elogiou a criação de equipas especializadas em todas as corporações, considerando tratar-se de “uma pequena ajuda”, mas “muito aquém das necessidades financeiras” que atravessam atualmente os bombeiros voluntários.

Esta atitude do MAI vai dar uma pequena ajuda e trazer um pouco de oxigénio” às corporações de bombeiros, mas fica “muito aquém das necessidades”, disse à agência Lusa o presidente da LBP, Jaime Marta Soares.

O presidente da LBP avançou que cada associação humanitária vai receber 2.500 euros mensalmente e sublinhou que os bombeiros voluntários já estavam a fazer este trabalho de apoio, socorro e transporte de doentes covid-19 sem receberem qualquer apoio financeiro.

Jaime Marta Soares considerou que a verba “vai ajudar um pouco a colmatar as grandes dificuldades financeiras”, recordando que as corporações de bombeiros “estão à beira do colapso” pelos encargos que têm assumido desde o início da pandemia e a consequente perda de faturação em transporte de doentes não urgentes.

O mesmo responsável destacou também a sensibilidade do MAI na resolução dos “grandes problemas dos bombeiros” e acusou o Ministério das Finanças de ser “um entrave” e “autista” nas questões que afetam as corporações.

O presidente da LBP disse ainda que as corporações de bombeiros esperam que durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado (OE) seja decidido um reforço de verbas.

Segundo a proposta do OE para 2021, as corporações de bombeiros vão receber da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) 28,65 milhões de euros, mas a Liga defende um financiamento de 35 milhões de euros.

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