João Loureiro regressou a Portugal durante a tarde desta sexta-feira. O ex-presidente do Boavista estava no Brasil, onde prestou esclarecimentos às autoridades sobre um avião onde foi encontrada droga.

Estou muito feliz por chegar ao meu país. Estou muito cansado. As últimas semanas foram muito difíceis", afirmou João Loureiro à chegada ao Aeroporto Sá Carneiro, no Porto".

João Loureiro estava a bordo do Falcon 900, na viagem de São Paulo para Salvador da Baía, no Brasil, quando o piloto detetou falhas mecânicas e solicitou uma inspeção ao avião.

Foi na sequência dessa inspeção, já num hangar do aeroporto em Salvador, que a polícia federal encontrou 578 quilos de cocaína a bordo.

Com Loureiro, seguia a bordo o espanhol Mansur Heredia, e, enquanto este desapareceu sem deixar rasto, o antigo presidente do Boavista regressou rapidamente a São Paulo num voo commercial.

Poderei eventualmente (ou não) ter sido ingénuo ou utilizado. Mas repito: sou absolutamente alheio ao que se passou, que não imaginaria sequer nos meus maiores pesadelos e é completamente contrário aos meus princípios de vida e que passei aos meus quatro filhos”, diz o empresário e advogado numa mensagem escrita enviada à agência Lusa, após aterrar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.

Assumindo que “ansiava” por este dia, e que “finalmente” está em Portugal, João Loureiro reconhece que não é o mesmo “que há pouco mais de um mês [27 de janeiro] saiu” do país a bordo do Falcon 900 da empresa OMNI - executive aviation, que descolou do Aeródromo Municipal de Tires, em Cascais, rumo ao Brasil.

Fui abruptamente envolvido num autêntico furacão ‘sem saber ler nem escrever’. Estive três semanas praticamente sozinho e não desejo a ninguém o que comigo se passou. Confio em Deus, Ele sabe muito bem que sou totalmente alheio a tudo o que se passou, e confio que a verdade virá ao de cima”, frisa o advogado.

Na mensagem enviada à Lusa, João Loureiro agradece ainda “todas as mensagens de carinho e solidariedade” que recebeu de “muitos portugueses, que compreenderam as difíceis condições” pelas quais passou nas últimas semanas, “devido à firme vontade” de contar a sua versão dos factos às autoridades brasileiras, explicando essa opção.

Após o conhecimento que tomei da situação que todos conhecem, por respeito e vontade de colaboração com a justiça, [decidi]permanecer corajosamente no Brasil para, em primeira mão, prestar as minhas declarações junto às autoridades do país onde os acontecimentos tiveram lugar. Muitos no meu lugar seguramente não fariam o mesmo, o que, em meu entender, não tem sido devidamente valorizado”, lamenta o empresário.

João Loureiro deixa também um desejo:

Só espero que um dia os seus verdadeiros responsáveis venham a ser descobertos por quem de direito, as autoridades competentes. Aliás, obviamente que se as autoridades competentes nacionais assim o entenderem, estou completamente disponível para também as esclarecer no momento próprio, como fiz com as brasileiras”, diz.

João Loureiro assume não guardar rancor, “mesmo a alguns que tudo fizeram para injustamente denegrir e menorizar” o seu nome, “vaticinando até (mal) que nem poderia regressar ao meu país e tantas outras coisas mais”.

“Sinceramente, não entendo a razão de ser de tanta incompreensão ou até ódio que por vezes têm por mim. Mas não sou de me ficar a lamentar, aceito o que a vida me traz, mesmo quando como neste caso é muito madrasta, e tenho o dever de seguir em frente, sobretudo quando sei nada de mal ter feito quanto à questão em apreço”, salienta Loureiro.

O empresário recorda que o processo está em segredo de justiça, assumindo que agora “é o tempo de dar espaço à justiça para atuar” e de ele descansar junto da família.

Henrique Machado Rafaela Laja / Com Lusa