A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, efetuou esta terça-feira uma megaoperação que visa o combate ao tráfico de estupefacientes no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. No âmbito da Operação Entre-Grade foram efetuadas 52 buscas em estabelecimentos prisionais, domicílios e espaços comerciais, tendo sido detidas nove pessoas.

Os nove detidos são cinco guardas prisionais, dois deles chefes, o líder do gangue de Valbom por tráfico dentro da prisão e outras pessoas, nomeadamente familiares envolvidos no esquema. Os guardas têm idades entre os 45 e os 50 anos. Um deles será mais velho pois já está reformado e foi detido em casa.

As buscas realizadas no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira foram presididas por três magistrados do Ministério Público. 

Na realização das operações em ambiente carcerário, a PJ contou com a colaboração da DGRSP, incluindo o Grupo de Intervenção e Segurança Prisional – GISP, entidade que desde o primeiro momento colaborou ativamente nas investigações em curso.

Fonte oficial da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais nada adiantou a este propósito, mas referiu que a força especial da Guarda Prisional colaborou com a Polícia Judiciária em buscas realizadas que se estenderam, além de cadeia de Paços de Ferreira, aos estabelecimentos prisionais do Porto, Santa Cruz do Bispo - masculino, Vale de Judeus e Monsanto.

“Esta Direção-Geral reitera a sua disponibilidade de combate constante às atividades ilícitas em contexto prisional e de colaboração permanente com as autoridades policiais e judiciais, uma vez que, como tem sido repetidamente afirmado, tem tolerância zero para com todo o tipo de atividades ilícitas”, sublinhou a Direção-Geral.

 

Sublinhando que se tratam de atividades “praticadas por um número muito diminuto de trabalhadores”, releva, contudo, que “mancham o bom nome dos serviços e da esmagadora maioria dos profissionais que, com honestidade e dedicação, neles trabalham”.

Em declarações aos jornalistas, esta tarde na sede da Polícia Judiciária no Porto, o diretor PJ do Norte, Norberto Martins, indicou que além das diligências realizadas no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, no âmbito desta operação também foram feitas buscas nas cadeias do Porto, Santa Cruz do Bispo (masculino), Guimarães, Monsanto e Vale dos Judeus.

O esquema consistia na introdução de drogas no estabelecimento prisional, maioritariamente haxixe e cocaína, tendo sido apreendidos também "vários telemóveis" e 20 mil euros em dinheiro.

Além dos detidos, que serão presentes quarta-feira a primeiro interrogatório no Tribunal Criminal de Marco de Canavezes, "o processo tem mais de 30 arguidos", informou a PJ do Porto.

Em investigação estão crimes de tráfico de droga e corrupção e a investigação teve início em 2017, sendo que as detenções foram efetuadas seis por mandato e três na sequência das buscas.

A investigação pode ter sensivelmente dois anos, mas o esquema proporcionou mais-valias interessantes [não quantificadas para já] ao longo de muitos anos a quem dele usufruiu e participou", disse o coordenador, Avelino Lima.

Já o diretor PJ do Norte, Norberto Martins, apontou, sem especificar números, que "mais de uma dezena de reclusos usavam este esquema" em Paços de Ferreira e revelou que os telemóveis foram apreendidos nas celas do restabelecimento prisional.

Norberto Martins descreveu também que no âmbito da "Entre-Grade", nome dado à operação, foi também constituído arguido um preso que, entretanto, estaria para sair da cadeia, tendo sido decretada a sua prisão preventiva e do total de guardas prisionais envolvidos, um deles está já aposentado.

As contrapartidas eram quantias monetárias", referiram os responsáveis da PJ que, questionados sobre valores específicos, apontaram para "valores elevados" até porque, disseram, "num estabelecimento prisional todos os valores são muito inflacionados", admitindo que alguns dos envolvidos "começaram a apresentar, ao fim de algum tempo, comportamentos e sinais de riqueza suspeitos".

Quanto aos detidos que são familiares de reclusos, estes funcionavam como "retaguarda" do esquema.

Consideramos que decorreu uma investigação abrangente e incisiva. Há aqui realidades de meia dúzia de anos seguramente", resumiu Avelino Lima, enquanto Norberto Martins apontou que "a investigação vai continuar" porque "há muita coisa a fazer".

"Mas parte substancial do tráfico em Paços de Ferreira, querermos crer que está identificado e o seu esquema concluído", concluiu.