O prédio que sofreu uma derrocada parcial na última noite, na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, "deve ser demolido", disse aos jornalistas o vereador da Proteção Civil da Câmara, Carlos Castro, na sequência de uma vistoria ao edifício.

A primeira análise à vistoria indica-nos que o prédio deve ser demolido e nesse sentido vamos fazer com caráter de urgência um segundo pedido de vistoria ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)”, disse aos jornalistas Carlos Castro.

O responsável, que confirmou que ficaram desalojadas 66 pessoas - 7 adultos e 59 estudantes, adiantou, ainda, que vai ser pedida uma segunda vistoria ao LNEC para confirmar a eventual demolição.

Dos 59 estudantes que ficaram sem casa, 39 foram já realojados na Pousada da Juventude.

Carlos Castro aproveitou para esclarecer que o prédio afetado não está devoluto, como foi comunicado, na quarta-feira, pelo Regimento de Sapadores de Bombeiros de Lisboa, realçando que foi uma das paredes laterais de um dos edifícios habitados que ruiu.

O que aconteceu foi, como se pode verificar, a parede lateral desabou para uma zona onde está o edifício devoluto”, explicou, acrescentando que “foram induzidos em erro”.

Várias pessoas estão concentradas, desde o início desta manhã desta quinta-feira, junto ao edifício, que diziam não ser seguro.

Há um mês, pedras caíram no corredor [da residência universitária que fica ao lado do edifício devoluto]. Falámos com o proprietário que nos disse que era seguro, mas afinal não”, disse à agência Lusa Louison, um francês, que vive em Lisboa há três meses.

O jovem contou que nos últimos meses foram acontecendo coisas no edifício, como infiltrações de água e derrocadas.

Nos últimos dois meses algumas coisas aconteceram. Há dois dias houve uma infiltração de água, que foi desde o primeiro andar até ao rés-do-chão, mas não contámos ao proprietário. Só falámos sobre a parede que caiu”, salientou.

A viver no primeiro andar do prédio afetado, Louison teve de sair da residência universitária na sequência da derrocada e disse que, por agora, está a ficar num hostel.

De acordo com o jovem, a Câmara Municipal de Lisboa distribuiu as pessoas da residência por hostels e por uma Pousada da Juventude, adiantando que vivem lá jovens de vários países como Alemanha, Espanha, França e Brasil.

Louison disse ainda que muitos deles pensam regressar aos seus países de origem.

Por seu turno, o dono de uma pastelaria que está há 60 anos naquela rua explicou que esta situação “já se arrasta há vários anos”, referindo que a Câmara de Lisboa fez uma vistoria há cerca de dois dias.

Na rua, há quatro ou cinco prédios assim. Há um desnível nas estruturas. Era percetível que isto ia acontecer. São guerras de heranças”, disse à Lusa António Cadete.

Para o comerciante, a situação causa prejuízos ao comércio local.

Dá um prejuízo incalculável. O comércio fica limitado. As pessoas têm de passar pelo meio da estrada”, realçou.

Chocada, uma outra comerciante da rua revelou que o edifício está “assim há, pelo menos, 10 anos” e que já é “o terceiro que está a cair”.

Esta rua parece que está assombrada. Não podem mandar abaixo e o proprietário está à espera que caia para não pagar [a demolição]”, disse Ana Nascimento.

Funcionária de um quiosque, desde 2009, contou que, no espaço de um ano, fecharam sete estabelecimentos na rua, reduzindo a afluência de pessoas para 20%.

A derrocada parcial deste prédio na Avenida Elias Garcia não provocou vítimas.

Por questões de segurança, os prédios contíguos, entre os números 120 e 130 (correspondentes a dois prédios), vão ficar interditados até que sejam efetuadas vistorias para avaliar as condições de segurança, motivo pelo qual uma creche ali localizada vai estar hoje encerrada.