A ministra da Saúde conduziu uma segunda conferência de imprensa, depois de um erro técnico que atrasou a divulgação dos boletins epidemiológicos de balanço da pandemia de Covid-19 em vários países. Marta Temido esclareceu que os novos casos de infeção em Lisboa e Vale do Tejo não decorrem do processo de desconfinamento, mas sim de uma estratégia intensiva de rastreio.

Desde o último sábado que as equipas do INEM têm estado na rua a realizar cerca de 300 colheitas cada uma. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, em cinco dias, foram colhidas 14 mil amostras. Esta estratégia de testagem intensificada teria como resultado um conjunto de casos assintomáticos. Ao que tudo indica, a situação está controlada, mas temos de seguir estes casos com grande atenção", explicou a ministra, adiantando que a situação só ficará resolvida com um tratamento ou uma vacina.

Na mesma linha, a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas destacou que "a máscara não nos torna imunes ao vírus".

Graça Freitas fez menção às manifestações contra o racismo que decorreram este sábado em várias cidades de Portugal e acrescentou que "o controlo da doença, aquilo em que temos estado a investir depende do comportamento das pessoas. Seja em festas, seja em raves, seja em ajuntamentos no exterior, não nos podemos juntar, mesmo com a máscara".

Marta Temido anunciou que, de acordo com o INSA, o Rt - o número de pessoas a que cada doente infetado transmite o vírus - foi de 1,01 entre 29 de maio e 2 de junho.

Essa média é explicada por uma variação de 0,89 no Norte, 1,09 na região Centro, e 1,02 na região de Lisboa e Vale do Tejo”, explicou a ministra.

Sobre a situação em Lisboa e Vale do Tejo, a ministra da Saúde diz que, nos últimos 15 dias, esta região tido "de um modo consistente cerca de 70% dos novos casos. Para as autoridades de saúde, Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra são os concelhos mais preocupantes.

Em relação ao foco de Covid-19 situado numa central de frutas no Bombarral, Marta temido esclarece que a situação está controlada e que está a existir um trabalho em conjunto com o Ministério da Agricultura para serem elaboradas regras e orientações para as colheitas, tendo como prioridade "o distanciamento físico e a higienização". Marta Temido avança ainda que o risco associado ao novo coronavírus nestes trabalhos "ao ar livre" decorre principalmente de situações de coabitação.