O corpo da atriz e encenadora Fernanda Lapa vai estar em câmara ardente a partir de sexta-feira na companhia Escolha de Mulheres, que fundou há 25 anos em Lisboa, decorrendo o funeral no sábado, foi hoje anunciado.

Segundo a agência funerária Servilusa, num comunicado hoje divulgado, a família de Fernanda Lapa “agradece a quem queira oferecer flores que o valor das mesmas seja dado como donativo à família do ator Bruno Candé Marques”, morto a tiro em Moscavide no dia 25 de julho, e partilha o IBAN da conta: PT50 0035 0936 00042511500 87 da CGD.

O corpo de Fernanda Lapa estará em câmara ardente a partir das 18:00 de sexta-feira na Escola de Mulheres, sediada no n.º 24 A da Rua Alexandre Braga, em Lisboa. As exéquias fúnebres iniciam-se pelas 16:30 de sábado, para o crematório do Centro Funerário de Cascais, em Alcabideche.

Fernanda Lapa morreu hoje, aos 77 anos, em Cascais, onde estava hospitalizada, anunciou a Escola de Mulheres, companhia que dirigiu desde a sua fundação, em 1995.

Nascida em Lisboa em maio de 1943, Fernanda Lapa, “uma eterna apaixonada pelo Teatro”, soube “desde cedo que o Teatro seria a sua vida”, como recorda a Escola de Mulheres – Oficina de Teatro, que fundou em 1995 e onde era diretora artística, num comunicado hoje divulgado.

Os últimos 25 anos de vida de Fernanda Lapa foram dedicados, em grande parte, àquela companhia de teatro, cujo nome se inspira na peça de Molière “L’école des femmes”, criada em Lisboa por um conjunto de mulheres de gerações diferentes e experiências diversas, mas com o sentimento comum - a consciência - do papel de subalternidade a que a mulher tem sido reduzida no teatro português.

Com este projeto, cuja direção artística estava a cargo de Fernanda e de Marta Lapa, uma das filhas da atriz e encenadora, a ideia é privilegiar a criação e o trabalho feminino no teatro e promover e divulgar uma nova dramaturgia de temática e escrita femininas, tanto nacional, como estrangeira.

Este ano, a convite da SPA, foi autora da mensagem do Dia Mundial do Teatro (27 de março), na qual defendeu que se exija um plano de desenvolvimento teatral com futuro e que se aposte na força do teatro para as transformações que a atualidade exige.

“Amar o teatro e o público não é um conceito abstrato; amar não pode ser uma palavra sem conteúdo e, tal como a palavra drama, contém o sentido de ação”, pelo que “homens e mulheres de teatro têm o dever imperioso de lutar por um teatro digno do nosso País e por uma classe teatral dignificada”, defendeu a atriz e encenadora num texto em que explica por que motivo se escolhe ser dramaturgo.

Várias vezes premiada, Fernanda Lapa coordenou as comemorações do centenário de Bernardo Santareno, que se assinala este ano, de quem a Escola de Mulheres vai levar ao palco, em novembro, a obra “O Punho”, com versão cénica da atriz e encenadora.

/ PP