A situação no distrito de Aveiro foi complicada esta sexta-feira com três fogos a poucos quilómetros de distância uns dos outros: em Albergaria-a-Velha, a situação mais preocupante, em Veiga, concelho de Águeda, e em Macinhata do Vouga, também no concelho de Águeda. 

O incêndio em Albergaria-a-Velha fez seis feridos, entre os quais estão cinco bombeiros por inalação de fumos e fraturas ligeiras. Os bombeiros foram transportados para o Hospital de Aveiro.

O outro ferido é um GNR que foi atropelado por um veículo cujo condutor desobedeceu a ordens que impediam o seu acesso a uma das zonas onde lavra o fogo.

O presidente da Câmara de Albergaria-a-Velha, António Loureiro, garantiu que o incêndio, que começou na quinta-feira, está "dominado" e que as populações já estão a regressar às suas habitações.

Felizmente, ao fim destes dois dias, damos praticamente como circunscrito o incêndio", disse o autarca.

Em declarações aos jornalistas, no ponto de operações em Albergaria-a-Velha, António Loureiro agradeceu aos cerca de 600 operacionais que estiveram, durante estes dois dias, a combater as chamas e a "defender as pessoas e o nosso património ambiental".

Os meios aéreos ainda continuam a operar. Foram uma grande ajuda, mas não nos podemos esquecer daqueles que tiveram estas 48 horas no terreno com um fator negativo que foi o vento, o maior inimigo", frisou.

Questionado sobre qual seria a previsão para os próximos dias, o autarca adiantou que o cenário será "complicado", e "desafiante" para os bombeiros, uma vez que a área ardida em Albergaria-a-Velha e Águeda ultrapassa os dois mil hectares.

"Temos aqui uma área de dois mil hectares, mais os 500 hectares de Águeda, 2.500 hectares no seu total, onde vai ser necessário uma atividade de vigilância maior e uma atividade de disponibilidade dos bombeiros para responder aos reacendimentos", referiu.

O autarca adiantou ainda que a área envolvente às habitações de vários pontos do concelho já foi analisada e que, neste momento, as populações já começam a regressar às suas casas.

 

Mais de 40 pessoas retiradas

Por causa do incêndio mais de 40 pessoas, entre as quais várias crianças, tiveram de ser retiradas de instituições e habitações de vários pontos da cidade.

Foram retiradas 19 crianças e dois adultos da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) Aconchego, situada numa das principais "artérias" de Albergaria-a-Velha.

Também foram retirados vários moradores da localidade da Cova do Fontão e de São João de Loure, sendo que quatro pessoas acabaram por "ficar" nas suas casas.

Esta manhã foi ainda evacuado um acampamento, no qual estavam quatro bebés, 18 crianças e quatro mães.

O fogo que deflagrou na tarde quinta-feira em Veiga, no concelho de Águeda, já está em fase de conclusão.

Já o incêndio que lavra desde as 11:29 de quinta-feira em Macinhata do Vouga, também em Águeda, está em fase de resolução.

 

A1 já foi reaberta

Os fogos no distrito de Aveiro chegaram a cortar várias estradas: a A1 (Albergaria - Aveiro Sul), IC2 (Nó Albergaria e Lamas do Vouga), EN 109 (em Assilhó) e a Estrada Nacional 16-2 junto às localidades de Assilhó e Alquerubim.

Ao fim da manhã, fonte da Brigada de Trânsito da GNR de Aveiro confirmou à TVI24, que a A25 já foi reaberta estando a circulação a fazer-se de forma "muito lenta" devido ao trânsito acumulado e à visibilidade reduzida. À Lusa, o comandante distrital de proteção civil, António Ribeiro, confirmou que também o IC2 já reabriu ao trânsito.

Também a EN109 e a EN16-2 reabriram ao trânsito ao final da manhã.

Na A1, o trânsito entre Estarreja e Aveiro Sul por causa do incêndio de Albergaria-a-Velha, só reabriu ao final da tarde.

 

Incêndio em Baião começa a ceder

O incêndio que lavra em Baião há várias horas mantinha, às 18:10, uma frente ativa na zona de Viariz, disse à Lusa o comandante de Santa Marinha do Zêzere, que previu uma evolução favorável para as próximas horas.

A frente está ativa, mas tem vindo a ceder", afirmou Márcio Vil, referindo que os meios de combate no terreno têm permitido controlar o incêndio florestal, apesar do vento forte que se faz sentir na região.

Referiu também que não há casas em risco e que a frente ativa tem cerca de 150 metros de extensão, em zona de matos.

As chamas deflagraram na quinta-feira à noite, na localidade de Teixeira e Teixeiró, concelho de Baião, distrito do Porto.

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o fogo teve início às 23:36 de quinta-feira, na freguesia de Teixeira e Teixeiró, em Baião.