Um "grande incêndio" na zona da Peninha, na Serra de Sintra, que começou pelas 22:50 de sábado e causava grande preocupação noite dentro, já domingo, alastrou ao concelho de Cascais, confirmou a TVI24 junto de fonte dos bombeiros. 

Pelas 01:30 de domingo, a aldeia de Biscaia estava a ser evacuada por precaução e, ao que apurámos, as pessoas estão a aceitar bem as indicações dadas pelas autoridades. Figueira do Guincho e Charneca também foram intervencionadas (encontrando nesta última resistência de alguns moradores, como testemunhou a TVI). A zona onde lavram as chamas tem muitas habitações dispersas. As evacuações estão a ser feitas por precaução. Fonte da Polícia Municipal de Sintra indicou à Lusa que foram retiradas para a zona da Malveira da Serra “cerca de 40 pessoas” de algumas habitações de localidades do concelho de Cascais, nomeadamente de Figueira do Guincho, Almoinhas Velhas e Biscaia.

Entretanto, a GNR cortou a estrada nacional EN 247, entre a Malveira da Serra e o Cabo da Roca. O Parque de Campismo de Cascais estava a ser evacuado pelas 03:00. Um popular disse à TVI que o bar do Guincho ardeu, alegando que a informação lhe foi avançada pelos donos. Ainda não nos foi possível confirmar. O fogo aproximava-se cada vez mais da praia.

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O Presidente da República chegou à Câmara de Sintra pelas 01:00 e foi recebido pelo autarca Basílio Horta. No final da reunião, o autarca falou com a TVI dizendo que o fogo terá começado numa casa abandonada, perto do convento da Peninha. "Temos de ter muito cuidado com o rescaldo", advertiu. Sobre o facto de o fogo ter começado à noite, Basílio Horta considerou que as circunstâncias "são estranhas", mas que "ainda é cedo para apurar responsabilidades", destacando que a "vigilância 24 horas sob 24 horas" na Serra de Sintra permitiu uma atuação mais rápida. 

É uma situação muito preocupante, muito preocupante. Esperemos que o vento não mude, mas se mudar estamos preparados para responder (...) Foi uma coisa espantosa, a maneira como o vento progrediu".

Também o presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras, disse na emissão especial da TVI24  que as evacuações são preventivas. "Não há nenhuma casa ardida", tendo-se mostrado preocupado com a "velocidade do vento", mas confiante nos meios no terreno. Pediu que os cidadãos continuem a responder "positivamente" às indicações das autoridades, abandonando as povoações quando é requerido.

Proteção Civil faz pedido às populações

O comandante da Autoridade Nacional da Proteção Civil Paulo Santos, por telefone, aconselhou as populações a estarem alerta e a protegerem-se. "Mais vale a sua vida do que os bens". 

Segundo a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil, no combate às chamas, chegaram a estar quase 650 operacionais, apoiados por 190 veículos. O número de meios tem vindo a ser atualizado constantemente e o vento forte está a dificultar as operações.

Segundo disse à Lusa fonte oficial do Ministério da Administração Interna, o ministro Eduardo Cabrita “está em contacto permanente com o comandante nacional” da ANPC e falou com os autarcas de Sintra e de Cascais.

Vento muito forte preocupa

À equipa de reportagem da TVI foi muito difícil chegar ao local. Na zona de Colares, o trânsito foi cortado pelas autoridades e a TVI assistiu a alguma revolta dos moradores que não conseguem chegar às suas habitações. Ouvem-se muitas sirenes de carros de bombeiros e algumas ambulâncias. Por ser de noite, não é possível combater as chamas com meios aéreos. 

As chamas estão a consumir a encosta e o forte vento que se faz sentir está a provocar uma rápida propagação do fogo, que se dirige para a zona de praia e mar. De notar que a zona do convento da Peninha situa-se no perímetro do Parque Natural de Sintra-Cascais.

As rajadas de vento que atingem a velocidade de 100 quilómetros por hora preocupam as autoridades. Há a expectativa que o vento ainda esteja forte até ao início da manhã, sendo que a zona que está a ser consumida apanha muitos ventos marítimos.

O combate foi reforçado com corporações de bombeiros do concelho de Lisboa e de outros concelhos de fora, incluindo corporações vindas de Setúbal, Leiria e Santarém. 

Alguns populares têm divulgado imagens no Twitter da serra a arder.

 

 

 

Só nos últimos seis dias, houve cerca de 650 fogos em Portugal. A Proteção Civil já alertou que o tempo quente e seco vai continuar e que outubro está a ser um mês sem paralelo nos últimos anos no que toca a fogos.

Este sábado, estiveram em risco máximo de incêndio os distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Aveiro, Santarém, Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Beja e Faro. Lisboa estava em alerta amarelo.