O antigo inspetor da Polícia Judiciária e vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, e o líder da claque Juventude Leonina, Mustafá, foram condenados, nesta sexta-feira, pelo Tribunal de Cascais, a sete anos e meio de prisão e seis anos e quatro meses, respetivamente, no processo de assaltos violentos a residências na Área Metropolitana de Lisboa.

No mesmo processo estão acusados mais 15 arguidos, entre eles três polícias, que respondem por associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documento.

Um dos agentes, Elói Fachada, foi condenado a 16 anos de prisão, outro, Luís Conceição, a 17 anos, e uma agente da PSP, Telma Freitas, foi condenada a uma pena suspensa de três anos e cinco meses.

Os 17 arguidos foram acusados pelo Ministério Público de pertencerem a uma rede criminosa de assaltos violentos a residências na Área Metropolitana de Lisboa.

Em causa estavam crimes de associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documento.

Contudo, o tribunal não deu como provado o crime de associação criminosa, condenando 15 dos 16 arguidos (um foi absolvido), essencialmente, pelos crimes de roubo e de sequestro.

A 12 dos arguidos foram aplicadas penas efetivas entre os quatro anos e meio e os 17 anos de prisão, enquanto três dos arguidos, incluindo a agente da PSP, foram condenados a penas suspensas até cinco anos.

Pereira Cristóvão diz estar “chocado” com condenação e vai recorrer

No caso de Paulo Pereira Cristovão, o tribunal deu como provado o envolvimento do antigo inspetor nos assaltos a uma residência em Cascais, em 27 de fevereiro de 2014, e a uma outra na Avenida do Brasil, em Lisboa, em abril do mesmo ano.

Pereira Cristovão disse, em declarações aos jornalistas, que está surpreendido e chocado com esta condenação.

Estou surpreendido, estou chocado, isto é completamente desproporcional e não reflete de todo a matéria dos factos. Mas como bom cidadão só tenho de respeitar a lei", vincou.

O antigo inspetor disse que vai recorrer, considerando que há "partes manifestamente abusivas" nesta condenação.

Tenho um juízo bastante crítico sobre a minha conduta e sobre os erros que cometi. Sou a primeira pessoa a condenar-me a mim mesmo. Mas uma coisa posso garantir: ser condenado por coisas sobre as quais não tenho responsabilidade custa imenso", razão pela qual vai recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa.

Questionado sobre as razões que levaram o coletivo de juízes, presidido por Ema Vasconcelos, a aplicar penas pesadas à maioria dos 16 arguidos no processo, Pereira Cristóvão respondeu: “[porque] os senhores estão aqui à porta”, aludindo ao mediatismo do processo.

Em declarações à agência Lusa, o advogado do líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes (Mustafá), condenado a seis anos e quatro meses de pena efetiva, disse que ainda vai analisar o acórdão, mas que “pondera” também recorrer.

Apesar de a pena ser relativamente baixa face às outras aplicadas pelo tribunal, a mesma ficou aquém do que seria justo”, afirmou Rocha Quintal.