Os Açores registaram nas últimas 24 horas 103 novos casos de covid-19, 100 em São Miguel (e três na Terceira), pelo que o Governo Regional reagiu de imediato impondo medidas restritivas a todos os concelhos da ilha.

As medidas de contenção da covid-19 entram em vigor à meia-noite, são válidas para os seis concelhos e foram anunciadas há momentos pelo secretário regional da Saúde Clélio Meneses:

  • O teletrabalho passa a ser obrigatório, concretamente para trabalhadores maiores de 60 anos ou com determinadas patologias;
  • O ensino à distância passa a vigorar para todos os estabelecimentos e todos os anos de escolaridade;
  • Os restaurantes e cafés terão de encerrar às 15 horas, podendo continuar a trabalhar em regime de takeaway;
  • O comércio local e os centros comerciais têm de encerrar às 20 horas;
  • Recolher obrigatório entre as 23 horas e as 05:00 do dia seguinte durante a semana e a partir das 15:00 ao fim de semana;
  • Proibidos ajuntamos com mais de quatro pessoas.

As medidas vão vigorar durante o período do novo estado de emergência, até 15 de janeiro.

Na ilha de São Miguel, a mais populosa dos Açores, 11 dos novos casos são "resultantes de cinco novas cadeias de transmissão apuradas nas últimas 24 horas, sendo uma em Ponta Delgada, três na Ribeira Grande e uma nova cadeia partilhada entre Vila Franca do Campo e Ribeira Grande", segundo a Autoridade de Saúde açoriana, assinalando que 26 novos doentes foram diagnosticados na sequência do rastreio em curso nas escolas de Vila Franca do Campo e Rabo de Peixe (concelho da Ribeira Grande).

A região tem atualmente 76 cadeias de transmissão ativas, 65 das quais em São Miguel, nove na Terceira, uma em São Jorge e uma no Faial.

Os Açores têm atualmente 564 casos ativos, sendo 519 em São Miguel, 39 na Terceira, três nas Flores e três no Faial.

Alto risco

Segundo o secretário regional da Saúde, de acordo com um novo modelo de análise alemão, apenas quatro concelhos nos Açores apresentam “alto risco” de transmissão, com mais de 100 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias: Vila Franca do Campo, Ribeira Grande, Lagoa e Ponta Delgada, todos na ilha de São Miguel.

O concelho do Nordeste, também na ilha de São Miguel, apresenta “médio risco” e todos os restantes nos Açores “baixo risco”.

O executivo decidiu, no entanto, aplicar as medidas restritivas a toda a ilha de São Miguel, já que mais de 50% dos concelhos da ilha estão em “alto risco”.

Questionado sobre os apoios às famílias dos alunos cujas escolas irão encerrar, Clélio Meneses disse que essa matéria estava a ser abordada pela vice-presidência do Governo Regional, que tem a tutela da Solidariedade Social.

“Estamos a preparar medidas que atenuem os constrangimentos familiares que estas medidas têm”, avançou.

Quanto à possibilidade de implementação de cercas sanitárias em São Miguel, o presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta Contra a Pandemia nos Açores, Gustavo Tato Borges, disse que não seriam eficazes.

“Em quatro concelhos da ilha, a transmissão é alargada e é livre, digamos assim, o que significa que se nós fizéssemos uma cerca sanitária a estes quatro concelhos, não iríamos impedir que o vírus saísse, porque ele já está a circular, e uma cerca sanitária em quatro concelhos move recursos que são demasiado elevados”, justificou.

Nas ligações aéreas interilhas vai manter-se, por enquanto, a obrigatoriedade de realização de teste de despiste à saída de São Miguel e da Terceira para as restantes ilhas (excluindo entre estas duas ilhas), mas a comissão pondera propor alterações.

“Estamos a avaliar a mais-valia da realização dos testes interilhas, tendo em conta o custo das mesmas e a exigência da operação que é necessária”, disse Gustavo Tato Borges, admitindo a possibilidade de a medida se manter como está, de os testes deixarem de ser obrigatórios ou de passarem a ser obrigatórios apenas à saída da ilha de São Miguel.

Luísa Couto / CM