Uma grávida de 32 semanas, com indicação para lhe ser provocado o parto por pré-eclâmpsia, foi transferida do Hospital de Faro para o Hospital Amadora-Sintra, Lisboa, por falta de incubadoras.

A grávida, de 23 anos, foi transferida na sexta-feira ao final do dia mas o parto, por cesariana, só foi feito na manhã de sábado. O recém-nascido acabou por morrer minutos depois do parto.

Ao que a TVI apurou, os médicos de Faro consideraram na sexta-feira que era necessário provocar o parto, devido a complicações na gestação. No entanto, as 10 incubadoras do Hospital de Faro estavam ocupadas.

O bebé nasceu com prognóstico reservado. No teste de Apgar, que avalia a vitalidade dos recém-nascidos, tinha apenas 1 numa escala de zero a dez. 

A jovem terá tido complicações ao longo da gravidez, tendo sido observada inicialmente em Portimão e depois enviada para o Hospital de Faro, de onde foi transferida para Lisboa. O Hopital Garcia de Orta disse não ter capacidade para a receber, tendo sido então decidida a transferência da grávida para o Hospital Amadora-Sintra.

Contactado pela TVI, o Ministério da Saúde adianta que não vai abrir inquérito - através da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde - "para já". A tutela diz não existirem motivos para a abertura do inquérito, uma vez que foram seguidos os procedimentos normais e todos os cuidados de saúde adequados e indispensáveis.

Fonte hospitalar do Hospital Amadora-Sintra (Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca) garantiu à TVI: "O HFF teve desde o início o comportamento eticamente aconselhado e, durante todo o internamento, os pais foram devidamente informados do quadro clínico pelos profissionais de saúde do HFF e envolvidos nas decisões clínicas.” Porém, a unidade hospitalar, apurou a TVI, diz que não teria indicação de urgência para fazer o parto da grávida transferida. 

Grávidas saltam "de hospital em hospital"

Sem querer comentar este caso em concreto, o presidente da secção regional Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, disse à agência Lusa que as maternidades da região de Lisboa e do sul do país estão todas a funcionar a meio gás e que as grávidas andam a “saltar de hospital em hospital”. 

Alexandre Valentim Lourenço lamenta ainda que não tenham sido tomadas medidas para assegurar um funcionamento adequado das maternidades durante o período do verão, lembrando que faltam profissionais em todas as maternidades e serviços de obstetrícia do sul do país.

O representante da Ordem dos Médicos no sul do país indica que a maioria dos obstetras já entregou pedidos de escusa de responsabilidade, o que fará com que as responsabilidades por eventuais acidentes por falta de meios recaiam sobre os responsáveis hospitalares ou mesmo sobre o Ministério da Saúde.

Segundo Alexandre Valentim Lourenço, terão de ser os diretores hospitalares e dirigentes do Ministério da Saúde a ser responsabilizados por falhas de organização nas maternidades.