O movimento feminista de Aveiro “Juntas" defendeu esta segunda-feira que o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lourosa, em Santa Maria da Feira, deve ser demitido na sequência da condenação por “importunação sexual” a uma colaboradora da corporação.

De acordo com a decisão do Tribunal da Relação do Porto, que manteve a condenação do tribunal de Santa Maria da Feira, a que a Lusa teve acesso, o presidente da associação, que já disse que vai recorrer, foi condenado pelo crime de "importunação sexual" a 100 dias de multa à taxa diária de sete euros e a indemnizar a ofendida em 1.500 euros.

Agora, o movimento feminista de Aveiro junta-se ao corpo ativo da corporação ao defender que Joaquim Cardoso deve ser afastado, o que os operacionais justificavam com vários argumentos demonstrativos de "má gestão" para além do assédio sexual, mas o "Juntas" considera legítima a sua demissão só pela sentença de importunação.

De acordo com os factos dados por provados em tribunal, o presidente [da Associação Humanitária] apalpou a mama esquerda a uma cidadã que estava a cumprir pena de trabalho comunitário nesse quartel de bombeiros. Sugeriu ainda brincadeiras sexuais, em troca de facilidades no cumprimento da pena de trabalho comunitário dessa mulher", diz o "Juntas" em carta aberta enviada à Lusa.

Considerando que essa importunação sexual "ocorreu numa relação de poder", o movimento defende que Joaquim Cardoso "não tem condições para continuar nesse cargo e apela a que todos os sócios da Associação Humanitária ativem os mecanismos necessários à eleição de um novo presidente".

Na perspetiva do “Juntas”, "uma Associação Humanitária não pode ser presidida por quem abusa de mulheres em condições de fragilidade", já que esse comportamento reflete "precisamente um ato oposto ao humanitarismo".

O movimento feminista realça que "é essencial que a sociedade mostre, nomeadamente às crianças, que não é aceitável que quem tem uma relação de poder sobre as mulheres toque no seu corpo sem consentimento".

Contactado pela Lusa, Joaquim Cardoso afirma que todo este caso resulta "de motivações políticas e de uma cabala montada intencionalmente" para o afastar da direção dos bombeiros e permitir assim que "outras pessoas subam ao poder".

Negando ter importunado a ofendida, alega que essa "foi recrutada para arranjar problemas".

Ela tem registo criminal e só queria fazer uma hora de serviço comunitário [por dia], mas pedia que lhe assinassem o documento a dizer que fazia sete. Depois dos bombeiros, foi para outras instituições fazer o mesmo serviço comunitário e também tem historial de incumprimento lá", acrescentou.

O presidente da direção dos Bombeiros de Lourosa diz, por isso, que não se conforma com a decisão do Tribunal da Relação, pelo que adiantou que vai “recorrer para o Supremo”.

E, se preciso for, levo o caso até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, para desmascarar esta situação toda", concluiu.