A polémica em torno da vacina da AstraZeneca levantou dúvidas sobre a segurança deste imunizador. Depois de várias investigações, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) veio ontem admitir uma ligação entre a vacina e o surgimento de coágulos sanguíneos e vai ser acrescentada a possibilidade de tromboembolia na lista de efeitos secundários.

Para perceber a dimensão deste 'mal-estar', entre 26 e 30 de março, a Deco reslizou um inquérito online em Portugal, Espanha, Itália e Bélgica junto da população entre os 18 e os 74 anos, e concluiu que os portugueses são os mais confiantes. 

Mostra o estudo que em Portugal, a confiança na vacina da AstraZeneca ficou abalada para 63% das pessoas, mas não foi a única a sofrer o embate, já que 41% também reportaram um impacto negativo sobre as restantes.

No entanto, isto não significa, porém, que os portugueses recusem a vacinação: apenas 5% dos inquiridos recusam serem inoculados e 10% dizem que talvez não o sejam.

Mais informação, mais confiança

Apesar da percentagem ter subido em relação ao inquérito realizado em janeiro, apenas 35% dos portugueses alegam "bons" ou "muito bons" conhecimentos sobre os efeitos secundários das vacinas contra a covid-19.

Quanto mais elevado o nível educacional dos participantes no estudo, maior é esta proporção. Já os meandros do plano de vacinação estão ao alcance de 42%, enquanto a eficácia das vacinas é do domínio de quase metade (48 por cento). Os menos informados ou com um nível educacional mais baixo foram os que mais concordaram com a decisão do Governo de suspender a vacina da AstraZeneca", mostra o estudo da Deco.

Quanto às restantes vacinas, Janssen, Pfizer e Moderna, o nível de confiança é semelhante: em todos os casos, apenas 6% dos inquiridos mostram um forte receio face aos efeitos secundários.

Polémicas à parte, se fossem convocados para serem inoculados na próxima semana, 59% dos portugueses aceitariam a proposta sem reservas. No extremo oposto, apenas 5% afirmaram que "certamente" não seriam inoculados. Aliás, face ao inquérito de janeiro deste ano, são agora mais 9% os que dizem querer vacinar-se.

Os dados da Deco mostram ainda que a predisposição para receber a vacina é superior na faiza etária acima dos 64 anos.

Entre as razões apontadas para a recusa das vacinas estão inúmeras justificações, tais como: receio dos efeitos secundários, a não pertença a grupos de risco, não confiar em certas vacinas contra a covid-19, considerar que há interesses ocultos associados às vacinas, não confiar no processo de desenvolvimento das vacinas, sofrer de alergias, não confiar nas vacinas em geral, já ter estado infetado com covid-19 e ainda considerar que a covid-19 "não é muito diferente de uma gripe normal".

Lara Ferin