Oitenta e oito arguidos do processo Hells Angels vão a julgamento, nos exatos termos da acusação, sabe a TVI.

As medidas de coação foram também revertidas para 42 dos arguidos, que voltam a estar privados de liberdade e passam a prisão domiciliária.

Os restantes vão continuar em liberdade, com Termo de Identidade e Residência e apresentações periódicas e proibição de deslocações a alguns locais.

Os 88 arguidos estão acusados de crimes como associação criminosa, tentativa de homicídio qualificado agravado pelo uso de arma, ofensa à integridade física, extorsão, roubo, tráfico de droga e posse de armas e munições, entre outros ilícitos.

O despacho de pronúncia do juiz Carlos Alexandre tem mais de mil páginas.

Nas alegações do debate instrutório, ocorrido em 20 de julho, o Ministério Público pediu a ida a julgamento de todos os arguidos, sustentando que todos praticaram os crimes que constam na acusação, que teve como meios de prova escutas telefónicas, documentos apreendidos ao grupo motard e o depoimento de testemunhas e arguidos.

Na altura, o MP deu como provado, entre outros factos, o ataque perpetrado pelos arguidos e membros do grupo Hell's Angels no restaurante Mesa do Prior, no Prior Velho, bem como a perseguição movida por estes a Mário Machado, líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social e que pertencia a um grupo motard rival.

O procurador deu então como provados os outros crimes constantes da acusação, incluindo extorsão e posse de arma proibida, designadamente soqueiras, mocas e bastões extensíveis.

A acusação do MP considerou que aqueles membros dos Hell's Angels elaboraram um plano para aniquilar um grupo rival, em março de 2018, com recurso à força física e a várias armas para lhes causar graves ferimentos, “se necessário até a morte”.

Henrique Machado Inês Pereira / Notícia atualizada às 17:08