José Sócrates reagiu à decisão instrutória do processo da Operação Marquês, conhecida esta quinta-feira, defendendo que "desde o primeiro momento houve manipulação do processo" e que "a Justiça estava errada".

O ex-primeiro-ministro disse que se vai defender dos crimes de branqueamento de capitais pelos quais vai a julgamento, afirmando que não são verdadeiros.

O juiz decidiu levar-me a julgamento por três crimes de branqueamento e eu quero dizer em primeiro lugar que isso não é verdade e que me vou defender”, afirmou José Sócrates

O antigo chefe de Governo (entre 2005 e 2011) e o empresário Carlos Santos Silva vão a julgamento no processo Operação Marquês por branqueamento de capitais e outros crimes de falsificação de documentos.

Em declarações aos jornalistas à saída do Campus de Justiça, José Sócrates voltou a reiterar a sua inocência e que "todas as grandes mentiras da acusação hoje caíram".

O Ministério Público cometeu um erro gravíssimo", considerou, acrescentando que, por essa razão, "prenderam e difamaram durante sete anos um inocente"

O antigo primeiro-ministro reitera que a distribuição do processo "foi viciada": "O juiz nunca foi um juiz imparcial. todas as grandes acusações que me fizeram, tudo isso era falso e assentava em nada".

No momento em que o processo Marquês chegou ao Tribunal Central de Instrução Criminal, a sua distribuição foi manipulada, foi viciada para que o juiz Carlos Alexandre ficasse com o processo”, afirmou o ex-governante.

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José Sócrates foi ilibado de todos os crimes de corrupção no âmbito do processo Operação Marquês: tanto nos casos do Grupo Lena, como do Grupo Espírito Santo/PT, como ainda de Vale do Lobo. Só no caso dos empréstimos de Carlos Santos Silva a Sócrates o juiz Ivo Rosa admitiu a existência de corrupção, mas afirmou que o crime prescreveu.

Ivo Rosa decidiu levar a julgamento seis crimes (três por branqueamento de capitais e três crimes de falsificação de documentos) que José Sócrates argumenta não serem verdade e que vai defender-se, não esclarecendo se será em recurso ou em tribunal.

Rafaela Laja