Trabalhadores concentrados esta quarta-feira frente do Hospital Lusíadas, em Lisboa, denunciaram que “vários colegas” foram coagidos a não fazer greve, com “ameaças de processo disciplinar”.

Hoje houve tentativa de colegas não fazerem a greve. As chefias ameaçaram com processo disciplinar quem fizesse greve hoje, quem não garantisse os serviços mínimos”, disse à agência Lusa Cátia Duarte, técnica administrativa do grupo Lusíadas.

Os trabalhadores da Lusíadas Saúde estão hoje em greve e concentrados desde as 11:00, num dia de “intensificação da luta”.

Estamos aqui em luta por todos os trabalhadores, porque a empresa não aceita as nossas reivindicações. Acha que aquilo que paga é suficiente quando nós recebemos, na maioria, 600 euros e já estamos nessa situação há muitos anos. Lutámos, desde início, esperámos com a venda do hospital em 2014, mas neste momento basta, não pode continuar”, afirmou Cátia Duarte.

Orlando Gonçalves, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP), acusou a empresa de “não respeitar os direitos dos trabalhadores” e de não querer negociar quando “tem milhões de euros de lucro”.

Existem várias queixas na CITE (Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego) sobre a questão da parentalidade, vários pedidos de horários flexíveis, de não garantir os direitos aos trabalhadores nas questões da amamentação, da flexibilidade por terem crianças pequenas. É inacreditável como é que a empresa pode falar sobre estas questões que têm o aspeto social”, afirmou o delegado sindical.

"Inadmissível" falta de resposta

O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Arménio Carlos, discursou durante a concentração dos trabalhadores e considerou “inadmissível” que o grupo Lusíadas não dê resposta.

O grupo Lusíadas pode ter a força do poder do dinheiro, mas estas mulheres e homens trabalhadores têm a força do poder da razão e aquilo que estão aqui a reclamar é aquilo a que têm direito. À dignidade da profissão, de serem reconhecidas profissionalmente e melhorar as suas condições de vida e de trabalho”, afirmou.

Relativamente ao aumento salarial que os trabalhadores exigem, o líder sindical esclareceu tratar-se de um valor que “rondará os 40 euros, nominalmente, a cada trabalhador” e garantiu que se o grupo Lusíadas continuar “de costas voltadas à solução” outras lutas se seguirão.

Administração contesta

Contactada pela agência Lusa a administração da Lusíadas Saúde afirma “respeitar o direito à greve”, mas recusa as acusações feitas pelos trabalhadores por “não corresponderem à realidade”.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a Lusíadas Saúde diz ser “uma empresa com um forte sentido de responsabilidade social”, que nos últimos anos tem “implementado várias ações de apoio aos colaboradores e suas famílias no âmbito da política social”.

As condições remuneratórias e de trabalho globais são superiores ao estabelecido no contrato coletivo de trabalho. Temos instituída há vários anos avaliação para progressão na carreira e cumprimos a legislação em vigor em Portugal, nomeadamente no que diz respeito aos dias de férias, parentalidade e às horas de trabalho”, pode ler-se na nota.

Ainda de acordo com a administração da empresa, cerca das 12:00, a greve era pouco expressiva e “não afetava os serviços”.

Estivemos a apurar os números oficiais e, neste momento, do universo de 4.000 funcionários do grupo apenas 1,8% aderiram à greve”, afirmou a responsável.

Entre os motivos de greve estão a reivindicação de aumentos justos para todos os funcionários, a dignificação das carreiras e categorias profissionais, a reclassificação dos trabalhadores, o direito a 25 dias de férias e a subsídio de refeição igual para todos.