Dois dos onze suspeitos envolvidos no esquema de tráfico de diamantes, droga e ouro em missões da ONU na República Centro Africana vão ficar em prisão preventiva, divulgou esta quarta-feira o Juízo de Instrução Criminal de Lisboa em nota.

A TVI sabe que um dos militares em prisão preventiva é o alegado cabecilha da rede criminosa. Paulo Nazaré prestou serviço como soldado na 2.ª Força Nacional Destacada (FND) na República Centro-Africana de outubro de 2017 a março de 2018, tendo depois abandonado a vida militar.

O outro arguido a receber a medida de coação mais gravosa será o alegado braço-direito do cabecilha da rede criminosa, Wilkar Almeida. Trata-se de um civil, que estará mais ligado ao esquema de lavagem do dinheiro do que propriamente do contrabando.

A quatro arguidos foram aplicadas medidas de suspensão do exercício de profissão. Oito arguidos ficam ainda proibidos de realizar contactos e de se ausentar do país.

A medida de coação de apresentações periódicas foi aplicada a nove arguidos.

O anúncio das medidas de coação surgiu ao fim de quase cinco horas de diligência hoje no Campus da Justiça, que deram continuidade ao interrogatório dos arguidos iniciado na tarde de terça-feira. Dos 11 arguidos, apenas cinco decidiram prestar declarações perante o juiz Carlos Alexandre.

A Polícia Judiciária (PJ) executou, a 08 de novembro, 100 mandados de busca e fez 11 detenções, incluindo militares, um advogado, um agente da PSP e um guarda da GNR, no âmbito da Operação Miríade, num inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais que “se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas”, com vista ao branqueamento de capitais.

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares portugueses em missões da ONU na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios no tráfego de diamantes”, adiantando que o caso foi reportado em dezembro de 2019.

Henrique Machado